Pular para o conteúdo

Exercício chinês de 800 anos pode ajudar a reduzir pressão alta, aponta estudo

Mulher fazendo Tai-chi — Foto: Reprodução: Freepik

Uma prática chinesa de exercícios com cerca de 800 anos pode ajudar a reduzir a pressão arterial de forma natural e com resultados comparáveis aos de uma caminhada rápida, segundo um grande ensaio clínico randomizado publicado no JACC, principal revista do American College of Cardiology. A rotina, que combina movimentos lentos, respiração controlada e meditação, apresentou melhora nos participantes em três meses, com benefícios mantidos ao longo de um ano.

A hipertensão arterial é um dos principais fatores evitáveis associados a doenças cardíacas. A prática regular de atividade física costuma ser recomendada por médicos para auxiliar no controle da pressão, mas muitas pessoas têm dificuldade em manter uma rotina de exercícios a longo prazo, especialmente quando ela exige academia, equipamentos, espaços específicos ou acompanhamento contínuo.

A prática analisada no estudo é chamada de baduanjin, um exercício tradicional chinês composto por oito movimentos estruturados que combinam atividade aeróbica, flexibilidade, exercícios isométricos e atenção plena. Realizada há séculos na China, a rotina é comum em parques e espaços comunitários.

Uma sessão típica dura de 10 a 15 minutos e não exige equipamentos ou treinamento extenso, o que facilita sua prática em diferentes ambientes. Por ser considerada uma atividade de baixa a moderada intensidade, os pesquisadores afirmam que a rotina é acessível e segura para muitos adultos.

— Dada sua simplicidade, segurança e facilidade com que se pode manter a adesão a longo prazo, o baduanjin pode ser implementado como uma intervenção de estilo de vida eficaz, acessível e escalável para indivíduos que tentam reduzir sua pressão arterial — afirmou Jing Li, médico, PhD, autor sênior do estudo e diretor do Departamento de Medicina Preventiva do Centro Nacional de Doenças Cardiovasculares, em Pequim, na China.

Estudo acompanhou adultos por um ano

Os pesquisadores conduziram o primeiro grande ensaio clínico randomizado multicêntrico voltado a avaliar como o baduanjin afeta a pressão arterial. O estudo acompanhou 216 adultos em sete comunidades e monitorou mudanças na pressão arterial sistólica de 24 horas após 12 semanas e novamente após 52 semanas.

Os participantes tinham pelo menos 40 anos e apresentavam pressão arterial sistólica entre 130 e 139 mmHg, faixa classificada como hipertensão estágio 1 pelas diretrizes da ACC/AHA. Eles foram divididos em três grupos durante a intervenção de um ano: prática de baduanjin, exercício autoguiado ou caminhada rápida.

Em comparação com o grupo que fez apenas exercício autoguiado, pessoas que praticaram baduanjin cinco dias por semana reduziram a pressão arterial sistólica de 24 horas em cerca de 3 mmHg e a pressão sistólica medida em consultório em 5 mmHg após três meses e também após um ano. Os pesquisadores observaram que essas reduções são semelhantes às registradas com alguns medicamentos de primeira linha para pressão arterial.

O estudo também constatou que o baduanjin produziu resultados e desfechos de segurança comparáveis aos da caminhada rápida depois de um ano.

Rotina simples pode facilitar adesão

Um dos achados mais relevantes foi que os participantes mantiveram os benefícios mesmo sem monitoramento ou supervisão contínuos. A permanência em programas de atividade física a longo prazo é uma das principais dificuldades em intervenções de saúde baseadas em mudanças de estilo de vida.

— O baduanjin é praticado na China há mais de 800 anos, e este estudo demonstra como abordagens antigas, acessíveis e de baixo custo podem ser validadas por meio de pesquisas randomizadas de alta qualidade — afirmou Harlan M. Krumholz, médico, FACC, editor-chefe do JACC e professor Harold H. Hines Jr. da Escola de Medicina de Yale. — O tamanho do efeito sobre a pressão arterial é semelhante ao observado em estudos marcantes com medicamentos, mas alcançado sem medicação, custo ou efeitos colaterais. Isso o torna altamente escalável para prevenção baseada na comunidade, inclusive em locais com recursos limitados.

Fonte: O Globo