
A Polícia Federal (PF) comanda em 16 estados, nesta terça-feira, 20 operações de combate ao tráfico de drogas e de armas, à atuação de facções criminosas e à lavagem de dinheiro. Batizada de “Operação Força Integrada II”, as ações buscam cumprir 165 mandados de busca e apreensão e 71 mandados de prisão. A operação mobiliza as Forças Integradas de Combate ao Crime Organizado (FICCO’s) de Segurança Pública, que integram o novo programa de investimentos do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na área.
Conforme a PF, as FICCO’s foram criadas no conceito de força-tarefa, com o foco em fortalecer o enfrentamento ao crime organizado. O grupo é composto por polícias civis, militares e penais, guardas municipais, Polícia Rodoviária Federal (PRF), SENAPPEN e secretarias de segurança pública estaduais.
A atuação do grupo é coordenada pela Polícia Federal, sem hierarquia entre as instituições participantes. São 39 unidades presentes em todas as unidades da federação, e cada FICCO comanda uma operação policial distinta nesta terça-feira.
Uma das maiores ações estão sendo comandada pela FICCO de Uberlândia (MG). As Operações Paper Stone e Rota Andina miram o combate ao tráfico interestadual e internacional de drogas, com 41 mandados de busca e apreensão sendo cumpridos, além de 22 de prisão e 26 somente de busca e apreensão de veículos. A Justiça determinou o bloqueio de R$ 98 milhões dos criminosos.
No Rio Grande do Sul, a Operação Cerco Integrado seis mandados de prisão preventiva e 15 mandados de busca e apreensão em 10 cidades do estado, além de Florianópolis (SC), com foco também no tráfico de drogas. Pela mesma razão, no Paraná, a Operação Blue Sky II 13 mandados de busca e apreensão e sete mandados de prisão em quatro cidades do Oeste do estado.
Já no Nordeste, a maior ação ocorre a partir da FICCO/PB, em João Pessoa. Ao todo, a Força Integrada cumpre 20 mandados de prisão e 40 mandados de busca e apreensão, além de medidas cautelares como sequestro de valores e imóveis.
Pacote do governo
Como mostrou o GLOBO, o governo lançará numa cerimônia hoje no Palácio do Planalto, na presença de Lula e do ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, o programa “Brasil contra o crime organizado”, que totaliza R$ 11 bilhões em investimentos na área, entre verbas federais e empréstimos aos estados.
A nova iniciativa prevê o aporte de cerca R$ 1 bilhão do Orçamento federal deste ano e outros R$ 10 bilhões a partir de empréstimos fornecidos aos estados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Os valores devem ser direcionados, principalmente, para o Fundo Nacional de Segurança Pública e para o Fundo Penitenciário Nacional. A implementação efetiva, porém, também dependerá da participação voluntária dos governos estaduais, que devem aderir às propostas para terem acesso aos recursos federais.
Os quatro eixos definidos no programa são o combate ao tráfico de armas, o fortalecimento do sistema prisional, o avanço no índice de resolução de homicídios e a asfixia financeira das organizações criminosas.
Com este fim, está prevista a criação de uma unidade central da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (Ficco) e a implantação de leilões centralizados no Ministério da Justiça para venda de bens apreendidos do crime.
Véspera da eleição
Dados de um levantamento do Datafolha, divulgado anteontem e realizado em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, mostram que quatro em cada dez brasileiros notam a atuação direta do crime organizado no bairro onde vivem.
O combate ao crime organizado também é considerado estratégico para a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) devido à intenção dos Estados Unido de classificar grupos brasileiros como o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) como terroristas. O Planalto busca rechaçar a hipótese junto ao entorno de Donald Trump por temer interferências indevidas no país, mas o movimento é explorado pela oposição como se configurasse um gesto em defesa das quadrilhas.
A nova frente surge enquanto o governo ainda tenta destravar a PEC da Segurança Pública no Congresso, considerada até então uma das principais apostas da gestão para a área. No entanto, em meio ao desgaste na relação com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP) — que incluiu a rejeição da indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF) —, não há perspectiva de avanço na tramitação no curto prazo.





