
A oposição comemorou a rejeição ao nome de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal como se representasse o desfecho da eleição presidencial deste ano. O resultado, na noite desta quarta-feira, 29, foi festejado pelos bolsonaristas em plenário aos gritos de “fora, Lula!”.
O placar expõe o declínio político do atual governo, que não consegue articular nem a própria base no Congresso. Sequer tem votos para aprovar um indicado ao STF. Ao amargar uma de suas maiores derrotas, o presidente Lula passa à população um recado de fraqueza.
É com essas premissas que os opositores do Planalto trabalham, apostando que o eleitor tende a não votar em quem tem indicativo de malogro. Com a iminente derrubada do veto de Lula ao projeto da dosimetria, o cenário com clima eleitoral é amplificado.
Se a rejeição de Messias deixa clima de ressaca para o Planalto, o calendário legislativo promete não dar trégua. Interlocutores do governo já admitem, nos bastidores, que Lula sofrerá nova derrota hoje na sessão do Congresso que votará os vetos presidenciais.
Com isso, o bolsonarismo vai comemorar novamente a debilidade da atual gestão e justamente numa pauta que custa ainda mais caro a Lula: a redução das penas dos condenados do 8 de Janeiro, que beneficia diretamente o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Também em clima eleitoral, a oposição afirma que a rejeição de Messias tem gosto de impeachment de ministro do STF. E que manda um recado de que elegerá a maioria do Senado e terá ainda mais força na Casa no ano que vem para dar andamento a pedidos de cassação de ministros do Supremo.
Líderes governistas dizem que seria necessário pelo menos uma semana a mais para tentar superar o baque da votação e voltar a pedir união da base. Mas adiar a sessão dependeria de decisão do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), a quem se credita o maior empenho para derrotar Messias.
Bastidores da derrota de Messias
Parte dos governistas saiu do plenário nesta quarta-feira avaliando que seria melhor Lula indicar logo o senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG), nome defendido por Alcolumbre desde o início para o STF, para abrandar a relação com o Senado.
Outro congressista com mais tempo de Casa, que já foi líder em várias gestões e com passagem por ministério, entretanto, concluiu: Se Lula indicar Pacheco, também terá de pedir a benção a Alcolumbre e entregar de vez a chave do Planalto a ele.
Recém-empossado ministro das Relações Institucionais, José Guimarães não conseguiu mudar a relação do Senado com o Planalto. Sobre isso, o líder de uma das maiores bancadas governistas afirmou à reportagem: “Guimarães fala a linguagem da Câmara, mas não entendeu ainda esse bicho chamado Senado”.
Horas antes da votação, o líder do governo na Câmara, Paulo Pimenta (PT-RS), afirmou que, superadas essas duas pautas, pelo menos será página virada. Na prática, tempo para focar na PEC 6×1 e nas composições eleitorais.
Fonte: Estadão





