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Você sabia? 4 em cada 5 idosos brasileiros com demência não sabem que têm a condição

Mais de 80% dos brasileiros com sinais de demência não sabem que vivem com a condição, mostra estudo.  Foto: LuxeShutter24/peopleimages.com/Adobe Stock

Quatro em cada cinco idosos brasileiros com quadro de demência não sabem que vivem com a condição, revela um estudo liderado por pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e publicado na revista científica International Journal of Geriatric Psychiatry em abril.

O alto índice de subdiagnóstico já havia sido estimado no Relatório Nacional sobre a Demência, publicado pelo Ministério da Saúde em 2024, mas foi confirmado no novo levantamento, que teve a participação de mais de 5 mil pessoas acompanhadas no Estudo Longitudinal da Saúde dos Idosos Brasileiros (ELSI-Brasil).

Os pesquisadores analisaram os dados de 5,2 mil brasileiros com mais de 60 anos, dos quais 392 preencheram os critérios para demência de acordo com testes cognitivos e medidas de comprometimento funcional. No grupo com sinais de demência, 83,1% não tinham diagnóstico prévio.

Os autores da pesquisa também avaliaram características sociodemográficas, clínicas, cognitivas e funcionais dos participantes, e descobriram que o subdiagnóstico foi mais frequente em regiões mais pobres (90,2%) do que em regiões mais ricas (76,0%), e maior entre indivíduos analfabetos (93,9%).

Importância do diagnóstico oportuno

O Ministério da Saúde estima que cerca de 2,5 milhões de pessoas vivam com demência no Brasil. Considerando o percentual de subdiagnóstico encontrado no estudo, 2 milhões delas ainda não receberam o diagnóstico.

“O diagnóstico oportuno e preciso, feito quando os sintomas começam a chamar atenção clínica e o comprometimento funcional ainda é limitado, é essencial para o manejo clínico, a educação do paciente e dos cuidadores, o planejamento do cuidado e o acesso a tratamentos e apoio psicossocial”, dizem os autores, no artigo.

Eles destacam ainda que dificuldades de acesso ao sistema de saúde e falhas na formação dos profissionais são alguns dos fatores para o subdiagnóstico, mas ressaltam que, no País, um ponto cultural que agrava a situação é a crença equivocada “de que o declínio cognitivo é uma consequência esperada do envelhecimento”, o que contribui para diagnósticos tardios ou não realizados.

Os pesquisadores afirmam que os resultados do estudo indicam a necessidade de fortalecer as estratégias de detecção precoce da demência na atenção primária à saúde, ampliar a conscientização do público e dos profissionais de saúde sobre a condição, e adotar políticas adaptadas às realidades regionais para reduzir as disparidades no diagnóstico.

Fonte: Estadão