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Sinal de Frank na orelha X risco de infarto: quando surgiu essa ligação?

Sinal de Frank — Foto: N Engl J Med 2014

Você já notou uma dobra ou vinco estranho nos lóbulos das suas orelhas ou nos de alguém que você conhece? Parece uma linha diagonal que se estende para trás e diagonalmente através do lóbulo da orelha, do tragus (a protuberância carnuda na frente da abertura das suas orelhas) até a borda. Essa dobra, conhecida como sinal de Frank, pode indicar doença arterial coronariana.

O sinal de Frank foi relatado pela primeira vez pelo médico Sanders T. Frank, em 1973, um pneumologista americano, notou a presença desse vinco peculiar em 20 pacientes com angina – uma condição que causa dor e desconforto no peito devido à redução do fluxo sanguíneo para o coração. Segundo Frank, esse tipo de dobra no lóbulo da orelha seria um sinal físico que poderia indicar a presença de doença arterial coronariana.

A causa desse sinal ainda não está clara. Na década de 1980, foi relatado que o sinal de Frank era causado por suprimento arterial insuficiente no lóbulo da orelha. No entanto, na década de 1990, outros pesquisadores acreditavam que o sinal estava associado à atividade dos macrófagos (um tipo de glóbulo branco), à aterosclerose, ao envelhecimento e à preservação geral do colágeno do lóbulo da orelha.

Também houve estudos genéticos que sugeriram que a dobra está relacionada aos genes HLA-B27 e C3-F e ao cromossomo 11, enquanto outros trabalhos indicaram que o sinal de Frank pode estar associado ao encurtamento dos telômeros – um processo envolvido no envelhecimento – nos glóbulos brancos periféricos.

Há também quem suponha que o sinal seja causado pela perda de fibras elásticas na pele, devido ao estresse oxidativo (moléculas nocivas ao corpo), e ao espessamento de pequenos vasos sanguíneos no lóbulo da orelha. Como os lóbulos da orelha não possuem vasos sanguíneos “colaterais”, isso poderia reduzir o fluxo sanguíneo de forma semelhante às alterações que ocorrem nas artérias do coração.

Desde que Frank descreveu pela primeira vez essa possível associação, o sinal tem sido estudado para avaliar sua ligação com diversas condições cardiovasculares e outras doenças. Embora alguns estudos tenham apoiado seu valor preditivo, outros também não demonstraram correlação significativa.

Assim, a visão médica é que a presença do sinal não é suficiente para prever a presença de um problema cardíaco, mas ele parece prevalente em algumas doenças crônicas e com o envelhecimento. A inspeção dos lóbulos das orelhas deve ser considerada parte integrante do exame físico na prática clínica para pacientes com suspeita de doença arterial coronariana.

Como acontece com muitos sinais físicos, a simples identificação é apenas o primeiro passo. Depois disso, os especialistas podem determinar a gravidade potencial de qualquer doença subjacente com base em sua aparência. O sistema de classificação do sinal de Frank é baseado no comprimento, profundidade, bilateralidade e inclinação da marca.

Uma linha unilateral e incompleta indica o caso menos grave de doença cardiovascular, enquanto uma linha bilateral completa pode indicar os casos mais graves. O sinal é bastante comum e já foi identificado em várias pessoas famosas, tanto vivas quanto mortas.

Fonte: O Globo