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A força coletiva dos cuidadores

ajuda — Foto: Magnific

Tudo começou em 2018 quando, provocada pelas ideias do Tangolomango — festival de diversidade cultural com mais de 20 edições no Brasil e na América Latina —, a curadora e produtora criativa Marina Vieira conheceu pessoas que viviam em regiões menos assistidas da grande Rio de Janeiro e que, com iniciativas simples, despertaram para novas relações com o outro, com as coisas, com o meio e com a natureza. Desse olhar e do encontro com Raquel Diniz e Maria Gouvêa surgiu o Circular-Cuidadores do Mundo, projeto para identificar, reunir e contar histórias de pessoas que, de forma contínua, cuidam, protegem e guardam uma tradição, um bem cultural, uma história, um território e que têm escuta ativa e se preocupam com o coletivo.

—Depois de escutar esses indivíduos, percebi que há gente que olha para o outro ou para o seu território e tenta criar condições, dentro da realidade que tem, de melhorar o mundo à sua volta —conta Marina.

Estamos falando de rezadeiras, pescadores artesanais, enfermeiros, educadores, agricultores, protetores da terra e das águas, entre muitos outros que focam no bem de todos, do local onde vivem e da natureza.

De lá para cá, o Circular-Cuidadores já realizou vários encontros em que essas pessoas discutem modos de trabalho, dificuldades e a forma de atuar de cada integrante do grupo. As trocas de ideias fortaleceram as iniciativas e deram novo estímulo para esses agentes que trabalham sem buscar reconhecimento.

Só para dar uma humanizada nesse texto, vou citar três cuidadores que já participaram das rodas de conversa do projeto: Alexandre Ernesto da Silva, enfermeiro e professor mineiro que vive entre Rio e Minas, que criou o Favela Compassiva na Rocinha e no Vidigal, um programa que leva cuidados paliativos para pacientes em fase terminal e famílias que vivem em favelas; Eliane Vieira, pernambucana radicada no Rio de Janeiro, ativista do desencarceramento e do combate à discriminação e à violência que, entre outras coisas, ajuda mães de todo o Brasil a lutar pela soltura de seus filhos; e Joyce Santos, que trocou Campinas pelo Rio e é gestora de projetos no Olabi/Preta Lab, que estimula mulheres pretas e indígenas a descobrir seus desejos e a ter poder de escolha e igualdade de oportunidades no mercado de trabalho.

Até 4 de setembro, estão abertas as inscrições para um novo ciclo de cuidadores. Com apoio do Sesi Firjan, pessoas que cuidam de áreas, causas, pessoas e saberes em locais distantes do Rio podem se inscrever por um formulário no site circularcuidadores.com.br. Interessados em se desenvolver nessa área também podem preencher o documento. A ideia é selecionar 30 pessoas que vão participar de cinco imersões presenciais, sempre aos sábados, entre 10 de outubro e 14 de novembro, em cinco locais diferentes onde já funciona um centro de cuidadores.

Com o compartilhamento de histórias, práticas e vivências bem enraizadas, os encontros pretendem contribuir para criar e fortalecer novas redes de cuidado, cooperação e transformação social em outros pontos do estado. Criadores, cuidadores, agentes culturais, lideranças comunitárias e integrantes de iniciativas sociais serão bem-vindos. Haverá transporte garantido para todos os encontros, que vão acontecer no Quilombo Camorim, em Jacarepaguá; no Instituto Socioambiental Gênesis, no bairro Água Mineral, em São Gonçalo; em Xerém, Duque de Caxias; no Ponto de Cultura Loucura Suburbana, no Engenho de Dentro; e em um endereço da Firjan, no Rio.

Cada encontro de sábado terá uma vivência preparada pelo anfitrião do espaço, uma roda de conversa, um estudo de caso e uma reflexão sobre a experiência, em que os selecionados poderão dividir suas dificuldades e angústias e receber ideias e o auxílio de quem já está na jornada.

Fonte: O Globo