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Flávio Bolsonaro se reaproxima de Malafaia, atrai novas congregações e amarra apoio evangélico

Ato bolsonarista convocado contra ministros do STF, com presença de Silas Malafaia e do senador Flavio Bolsonaro e Silas Malafaia – Allison Sales – 1º.mar.26/Folhapress

O pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) amarrou o apoio de parte das maiores congregações evangélicas. O senador conversou nas últimas semanas com o pastor Silas Malafaia, líder da Assembleia de Deus Vitória em Cristo, de quem havia se distanciado.

Flávio agregou também a seu partido o deputado federal Cezinha de Madureira (SP), da Assembleia de Deus Ministério de Madureira, um dos maiores grupos pentecostais do país, além de fechar o apoio da Assembleia de Deus Ministério do Belém, denominação forte em São Paulo.

Agora, segundo aliados, o presidenciável fará uma ofensiva para atrair outras duas igrejas: a do Evangelho Quadrangular e a Universal, do bispo Edir Macedo. Interlocutores do pré-candidato dizem estar entusiasmados com a possibilidade de agregarem à campanha essas cinco denominações.

A conversa de Flávio com Malafaia ocorreu em março, em tom de reaproximação, pois o pastor enfrentou atritos com pessoas próximas ao senador. O religioso tinha preferência por uma candidatura à Presidência do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) de vice.

No diálogo, segundo pessoas próximas, ficou acordado que Malafaia e Flávio estariam juntos na campanha, com formalização em um ato público após a janela partidária e o período de desincompatibilização. Dessa forma, o religioso reforçou sua independência política, mas reconheceu a consolidação do senador como o candidato da direita na disputa contra o presidente Lula (PT).

Em outra frente, o PL filiou Cezinha de Madureira, do Ministério de Madureira. Segundo lideranças da congregação, a tendência seria neutralidade na eleição. O grupo resistia a nova adesão ao bolsonarismo, por temer uma associação entre as pautas bolsonaristas e os ideais da igreja.

Interlocutores do Ministério de Madureira avaliam que a aproximação foi possível porque Flávio demonstrou mais moderação que o pai. O movimento, porém, ocorre com cautela. Cezinha se filiou ao PL na expectativa de concorrer ao Senado por São Paulo. Tal desenho, se confirmado, amarrará a presença da congregação no palanque do senador, mas com oficialização somente após o registro de candidaturas.

Uma ala política do Ministério de Madureira resiste à aproximação formal com Flávio, mas assume que de fato o senador levará a cúpula da congregação para seu palanque. Esse grupo chegou a ensaiar uma aproximação com Lula de olho em colar a igreja em entregas do governo na ala social.

O petista também buscou se aproximar desse segmento religioso. Em outubro passado, Lula recebeu no Planalto o próprio Cezinha e o líder da congregação, Samuel Ferreira. Houve uma roda de oração em torno do presidente. Em outubro de 2024, ele se encontrou com pastores para celebrar a sanção do Dia Nacional da Música Gospel. Na ocasião, chamou atenção a presença do deputado federal Otoni de Paula (MDB-RJ), que foi apoiador de Jair Bolsonaro.

Mas o flerte não deu resultado. Esse grupo considera que o governo se mostrou pouco aberto à adesão dos evangélicos, o que facilitou o avanço de Flávio. Tal distanciamento ficou evidente, citam esses políticos, com a crise de imagem enfrentada por Lula causada pelo desfile de Carnaval deste ano.

Na ocasião, a escola de samba Acadêmicos de Niterói homenageou o presidente em apresentação que contou com uma ala ironizando conservadores, mostrando famílias em latas de conserva. Segundo essas lideranças políticas, se Lula tivesse ao seu lado conselheiros do segmento evangélico, teria lidado melhor com a crise. Eles afirmam que o petista deveria ter enfatizado que discorda da representação feita no desfile.

Na campanha de Flávio, o sentimento é de avenida aberta para diálogo com os evangélicos. Nesse sentido, afirmam que o senador deve conversar em breve com lideranças da Igreja Quadrangular, liderada pelo ex-deputado Mario de Oliveira, e também com a Igreja Universal.

Até então, a Universal passou ao largo das negociações políticas para esta eleição, mas preparou um mega evento para a Sexta-Feira da Paixão. A ideia do bispo Edir Macêdo, segundo aliados, foi realizar uma celebração em estádios pelo Brasil como demonstração de força e engajamento. Espera-se que o pastor se encontre com Flávio em breve.

Como mostrou a Folha, Flávio conversou com o presidente do Republicanos, o deputado Marcos Pereira (SP). O partido tem conexão com a Universal, mas o diálogo inicial não empolgou. Sobre a Quadrangular, espera-se a participação do pré-candidato em um culto dessa igreja neste mês. Malafaia também deve convidá-lo em breve.

Ao visitar a Assembleia de Deus Ministério do Belém, Flávio foi ungido pelo pastor José Wellington Bezerra da Costa. O religioso levou o pré-candidato ao palco e rezou, pedindo que o senador seja eleito presidente.

Atualmente, Flávio Bolsonaro desfruta de um cenário eleitoral favorável entre os evangélicos. Na mais recente pesquisa Datafolha, em março, o primogênito de Jair Bolsonaro chegou a atingir o dobro de intenções de voto nesse segmento religioso. Católicos representam 48% das entrevistas feitas pelo instituto, e evangélicos, 28%.

Fonte: Folha de S. Paulo