
O pré-candidato do PL à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, leu neste sábado uma carta escrita pelo ex-presidente Jair Bolsonaro durante um pronunciamento transmitido em seu canal no YouTube. Na carta, o ex-mandatário afirmou que o momento é de apoio ao senador, que vem sofrendo com críticas até mesmo da ex-primeira-dama, Michelle Bolsonaro.
No texto, Bolsonaro fala que o Brasil vive um momento de decisão e pede união em torno de Flávio Bolsonaro.
“O momento é de arregaçar as mangas, deixar de lado as possíveis diferenças e cada um se empenhar pelo nosso pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro. A melhor opção para livrarmos o Brasil da corrupção, da violência e do empobrecimento”, escreveu Bolsonaro na carta lida pelo senador.
Na sequência, ele designa o filho como seu representante político: “Meu pré-candidato, creio que o seu também, meu porta-voz, no qual confio para resgatar o Brasil e nos conduzir para a paz e a prosperidade”.
Após a leitura, Flávio deixou claro que o alvo da mensagem não é o adversário, mas o próprio bolsonarismo. Segundo ele, a carta serve para encerrar especulações e barrar movimentações paralelas à sua pré-candidatura:
— Fica-se muita especulação acontecendo, muitas pessoas que parecem que estão boicotando até a candidatura, esperando o momento certo para vestir a camisa do Bolsonaro e ir para a rua para resgatar o Brasil. O que ele está dizendo aqui é muito simples. Primeiro, agradecer a ele por estar me colocando como seu porta-voz. Isso é muito importante para evitar que existam falas conflituosas ou direções diferentes que, porventura, alguém possa estar seguindo além, em paralelo à nossa pré-campanha.
O senador também tratou a carta como um ultimato aos aliados hesitantes:
— Chegou a hora agora de todo mundo cair dentro, todo mundo vestir a camisa.
O gesto ocorre em meio às articulações da campanha presidencial de Flávio e reforça a participação do ex-presidente, que segue como principal cabo eleitoral do PL para a disputa de 2026. A leitura da carta também acontece poucos dias depois de o senador tentar reduzir o desgaste provocado pela crise pública com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.
Na quinta-feira, Flávio afirmou estar “sempre aberto” a conversar com Michelle e disse esperar que ela volte a participar da campanha quando considerar que chegou o momento. A declaração foi dada após a ex-primeira-dama tornar públicas divergências com o senador, afirmando ter sido desrespeitada durante discussões sobre articulações políticas do partido.
O episódio levou o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, a defender uma reconciliação entre os dois antes da convenção nacional da legenda, marcada para o próximo dia 25. Segundo ele, o partido precisa chegar unido ao início da campanha.
Ofensiva contra Lula
Flávio também dedicou parte do tempo a responsabilizar o presidente Lula pelas tarifas impostas por parceiros comerciais ao Brasil, apelidando o PT de “partido das tarifas”.
— Chegou a hora da gente encarar de frente o partido das tarifas, que é o Lula, que é o PT. E não tem jeito: ou a gente ganha, ou o Brasil acaba — afirmou.
O senador voltou a comentar a viagem que fez aos Estados Unidos nesta semana para, segundo ele, tentar reverter a sobretaxa de 25% anunciada pelo governo americano sobre produtos brasileiros. Segundo ele, a decisão foi política, mas o governo Lula teria contribuído para o cenário ao não conduzir adequadamente a política externa e comercial.
— É uma culpa do Lula. Eu sei que a culpa é dele, mas ele não pode botar em quem ele quiser. A culpa é dele, ele que abrace esse problema. Eu fui lá tentar usar a força política para evitar que essa tarifa por parte do governo americano acontecesse. Não sei se vou ter êxito, mas fico com a consciência tranquila sabendo que eu fiz a minha parte.
Fonte: O Globo





