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Com Flávio, Caiado e Zema, direita faz ato na Paulista contra Lula e STF por caso Master

Manifestantes e políticos de direita participam do ato ‘Acorda Brasil’ na Avenida Paulista Foto: Fábio Vieira/Estadão

A oposição ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) realiza neste domingo, 1.º, uma série de atos pelo País. Os manifestantes defendem a liberdade do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), preso pela trama golpista, fazem críticas ao governo federal e aos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes e Dias Toffoli.

Em São Paulo, a manifestação ocorre na avenida Paulista, na altura do Masp. O senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à Presidência, chegou acompanhado do governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), outro pré-candidato ao Planalto, do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) e do pastor Silas Malafaia.

Também está presente o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, pré-candidato a presidente pelo PSD. Além deles, o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, e o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), participam do ato. O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que está nos Estados Unidos, discursou aos manifestantes via uma transmissão em vídeo.

Os manifestantes pedem anistia ao ex-presidente Jair Bolsonaro e aos demais condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023, embora esse não tenha sido um dos motes da convocação dos protestos nas redes sociais. Nos últimos dias, o ato foi convocado sobre o bordão genérico de “Acorda, Brasil”, com foco em grudar Lula e STF ao caso do Banco Master.

Esta é a primeira aparição do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em um evento do tipo desde o lançamento de sua pré-candidatura à Presidência. O pré-candidato chegou com segurança reforçada ao evento e usa um colete à prova de balas. O ato serve ainda para mostrar unificação da direita. Flávio citou Caiado, Zema e Nikolas.

Flávio ainda fez um aceno a mulheres, parte do eleitorado que é mais resistente ao bolsonarismo, e criticou Lula.

Em transmissão de vídeo, Eduardo defendeu a anistia de Bolsonaro, que, segundo ele, será possível com a eleição de Flávio e de senadores e deputados da direita. “Estamos entregando um futuro melhor aos nossos filhos. E eu não estou falando de resultados. Estou falando da importância de, nessa caminhada, estarmos lado a lado com pessoas que são movidas pelo mesmo princípio que nós. Isso não é sobre partido político, isso não é sobre eleição”, disse. “A eleição é só uma ferramenta. O caminho mais rápido para a gente poder levar justiça, que vai ser traduzida em anistia, se Deus quiser, com a eleição do Flávio Bolsonaro presidente e uma bancada de senadores e deputados federais fortes e valentes”, complementou.

Minutos antes, Caiado prometeu anistiar Bolsonaro, caso seja eleito para comandar o País. “Flávio Bolsonaro, saiba que ao meu lado o governador de Minas Gerais (Romeu Zema), estamos com o mesmo objetivo. Aquele que chegar lá, o primeiro ato será anistia plena, geral e irrestrita no 1º de janeiro de 2027″, disse o governador de Goiás. A anistia é concedida pelo Congresso, enquanto o presidente da República pode conceder indulto.

Sem mencionar nomes, em seu discurso, Zema fez críticas indiretas “àqueles que estão lá em Brasília e se consideram acima de todas as leis”. “Nós não ficaremos passivos, quietos, assistindo. Não vamos permitir. O Brasil está indignado, inconformado com tudo isso que tem acontecido. Eles têm medo da nossa voz, e é por isso que estamos aqui hoje, e vamos continuar quantas vezes for necessário. Ninguém no Brasil é intocável”, afirmou o governador de Minas.

Ricardo Nunes enalteceu Flávio e Jair Bolsonaro no discurso, além de justificar a ausência do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), que viajou à Alemanha.

“O time está sendo montado. E agora a gente vai entrar em jogo para ganhar de lavada e poder fazer uma grande vitória, da verdadeira democracia, da liberdade e do avanço do Brasil e do combate à corrupção”, afirmou Nunes.

Ovacionado pelos manifestantes, Nikolas Ferreira fez críticas a Lula, afirmando que eles estão na rua neste domingo por “Fora, Lula” e foi acompanhando pelo coro “Lula, ladrão, seu lugar é na prisão”. Também discursou contra Alexandre de Moraes, afirmando que o destino do ministro é a cadeia, e o público entoou “Fora, Moraes”. Ele também puxou o grito “Fora, Toffoli”. “Um recado aos nossos inimigos: nós estamos apenas começando. Acorda!”, disse.

A pedido do deputado federal, foi feito um minuto de silêncio pelas vítimas das chuvas em Minas Gerais. Ele também retomou a palavra, após o discurso de Flávio, para enaltecer a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. “Quero pedir um reconhecimento para aquela que está sofrendo de ver o seu marido preso injustamente, que está fazendo marmitas, que hoje não pôde estar aqui, eu peço uma salva de palmas para Michelle Bolsonaro”, disse, se dirigindo ao público.

A manifestação ocorre em meio a turbulências no PL entre o grupo ligado aos irmãos Bolsonaro e a ala mais próxima a Nikolas e a ex-primeira-dama.

A oposição usa os desdobramentos do caso Master contra o STF e o governo federal. As fraudes do banco liquidado em novembro de 2025 pelo Banco Central vêm proporcionando desdobramentos que acertaram cheio a mais alta Corte do País. O Estadão mostrou a ligação de um empreendimento de familiares de Dias Toffoli com fundos ligados ao Master, enquanto o jornal O Globo revelou um contrato de R$ 129 milhões entre o banco e o escritório da esposa de Alexandre de Moraes, Viviane Barci.

Os discursos começaram por volta das 14h. Todos eles se referiram à manifestação como um ato pedindo a liberdade de Bolsonaro e dos presos do 8 de Janeiro. Iniciaram, em ordem, os deputados estaduais Danilo Campetti (Republicanos) e Tenente Coimbra (PL). O primeiro deputado federal a falar foi Paulo Bilynskyj (PL-SP).

“Nós vamos honrar Jair Messias Bolsonaro. Essa energia vamos levar para o Brasil inteiro. Pela última vez, vamos seguir firmes, fortes e honrar o nosso presidente”, disse Bilynskyj. Ele foi sucedido no discurso pelos deputados estaduais Paulo Mansur (PL) e Capitão Telhada (PP), todos de São Paulo.

A deputada estadual Valéria Bolsonaro (PL) disse estar certa de uma vitória do senador Flávio Bolsonaro na eleição presidencial deste ano. “Assim nós vamos conquistar nossas liberdades, nossas famílias de volta, afirmou.

Em seguida, celebrou a invasão dos Estados Unidos à Venezuela, que levou à deposição do ditador Nicolás Maduro e ida à prisão em solo americano, e o ataque com bombas ao irã, que matou o aiatolá Ali Khamanei. “O Trump já ajudou acabando com dois. Só falta mais um, e vamos conseguir. Com toda a certeza”, disse.

O deputado Guilherme Derrite (PP-SP) celebrou a aprovação do projeto de lei antifacção, de autoria do governo federal e alterado por ele, na relatoria na Câmara.

“Aprovamos o PL Antifacção onde líderes de facções vão cumprir pena direto no sistema penal federal sem direto ao auxílio-reclusão”, afirmou. “Este ano, em 2026, aquele que comemorou, que foi o mais votado nos presídios não vai comemorar mais. Acabamos com o direito ao voto direto do presídio. Chega de bandido votar, porque a gente sabe em quem eles votam.”

Fonte: Estadão