Será que é a “Conserva” que sustenta o mundo? Nos últimos anos, tornou-se quase um esporte cultural anunciar o “fim da família tradicional”. Entre sátiras, ironias, fantasias de Carnaval e incontáveis posts nas redes sociais, repete-se o mantra de que o modelo clássico de casamento estaria ultrapassado, superado ou mesmo condenado ao desaparecimento.
Curiosamente, enquanto o discurso decreta sua extinção, milhões continuam dizendo “sim” diante do altar ou do cartório, reafirmando publicamente o compromisso, a estabilidade e a intenção de construir uma vida em comum.
O fenômeno é tão evidente que alcança inclusive figuras públicas identificadas com pautas progressistas. A combativa deputada Tábata, conhecida por posições firmes e defesa de diferentes arranjos familiares, e seu marido, prefeito de capital brasileira, ambos alinhados a uma visão de esquerda e defensores da pluralidade de uniões, optaram por uma cerimônia tradicional: vestido branco, igreja, celebração formal, convidados reunidos e todos os elementos da antiga liturgia social do casamento.
O gesto não é uma contradição; é um símbolo. Mostra que, independentemente do debate ideológico, permanece viva a importância de tornar pública a relação, celebrar o amor diante da comunidade e marcar o início de uma família com ritos que atravessam gerações.
A família pode assumir diferentes formatos, mas o desejo humano de estabilidade, pertencimento e reconhecimento público do amor permanece. E está longe de acabar.
Para a tradição cristã, o casamento não é um experimento social descartável. É uma aliança. Uma escolha pública de compromisso, fidelidade e permanência.
Interessante é o que diz o Código Civil Brasileiro no artigo 1.511: “O casamento estabelece comunhão plena de vida, com base na igualdade de direitos e deveres dos cônjuges.”
A norma é clara ao definir três pilares: comunhão, igualdade e deveres recíprocos. O sistema jurídico brasileiro, ainda que reconheça diferentes arranjos familiares, inclusive uniões entre pessoas do mesmo sexo, mantém a monogamia como estrutura básica.
Enquanto isso, os “desconstruídos” vagam em busca de um tesouro em um garimpo sem ouro. Tentam substituir a lealdade por algoritmos de relacionamento e a fidelidade por “acordos” que mudam a cada conveniência. O resultado? Uma geração que zomba da “conserva”, mas que está mergulhada em ansiedade, dependente de remédios e terapia para suportar o vazio de não ter onde repousar a cabeça após um dia de trabalho duro.
A tentativa de ironizar a família comparando-a a uma “conserva” no Carnaval foi, talvez, o maior tiro no pé da história do deboche. Ora, o que é uma conserva senão algo que resiste ao tempo, que mantém o valor nutricional quando tudo ao redor apodrece e que garante a sobrevivência em tempos de escassez?
Se a família é uma conserva, é a iguaria que mantém os “parasitas” sociais deliciosamente vivos e mimados. É ela quem produz de sol a sol, sustenta a economia e educa os futuros cidadãos. Afinal, alguém precisa trabalhar, manter o sistema girando, enquanto a modernidade faz terapia.
Os críticos esquecem que a alegria da família não é uma invenção de um juiz de paz, mas tem raízes mais profundas. Jesus estava em uma festa de casamento. Ele não apenas compareceu, mas garantiu que o vinho (a alegria) não faltasse. O modelo cristão de família não é uma prisão; é o porto seguro que permite vencer as adversidades.
Isso não é mero conservadorismo cultural. É organização jurídica. O direito de família estrutura herança, previdência, responsabilidade patrimonial e proteção social. A clareza do vínculo garante segurança.
A família não é apenas categoria religiosa. É unidade sociológica. É nela que se formam valores, disciplina, responsabilidade e transmissão intergeracional de patrimônio material e cultural.
Impérios caíram. Revoluções passaram. Ideologias surgiram e desapareceram. A família permaneceu.
O debate sobre modelos familiares é legítimo. O direito evolui, a sociedade se transforma. Contudo, afirmar que a família monogâmica, estável e duradoura está “acabando” não encontra respaldo empírico robusto.
A maioria das pessoas ainda sonha em construir parceria sólida, envelhecer ao lado de alguém, superar adversidades em conjunto.
O casamento não deve ser visto como uma renúncia à liberdade, mas como um pacto voluntário de exclusividade entre pessoas que sonham o mesmo sonho.






