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Guerra e mais guerra – prepare-se

Será que o mundo de 2026 deixou de fingir? A conversa diplomática parece estar perdendo espaço para a realidade dura. As grandes potências já não escondem suas intenções. Cada uma luta por sobrevivência, poder e influência. Mundo afora, sobre a prisão de Maduro, há opinião pra todo gosto, lógico, dos que assistem à desgraça alheia.

Os Estados Unidos, agora vilão e herói, dependendo dos interesses. Será que entenderam que não dá mais para hesitar? Washington acordou e percebeu que regimes autoritários como China, Rússia e Irã agem de forma coordenada para ampliar controle e enfraquecer as democracias. A Rússia tem cinco anos com tanques e mísseis, matando ucranianos e ameaçando a Europa, por conquista de território. A China domina tecnologia, dados e cadeias produtivas. O Irã espalha instabilidade ideológica e religiosa. De um lado, liberdade. Do outro, repressão.

A Venezuela, recorde-se, possui a maior reserva de petróleo do planeta. Ainda assim, mais de 50% da população sobrevive na linha da pobreza e quase 30% na extrema pobreza (ENCOVI – Pesquisa Nacional de Condições de Vida). Falta comida, remédio, energia, liberdade. Mas, curiosamente, essa realidade some do debate quando a palavra mágica “soberania” entra em cena. A soberania do palácio vale mais que o estômago vazio do povo?

Em nome dessa soberania seletiva, ignoram-se presos políticos, eleições de fachada, tribunais obedientes e uma imprensa silenciada. Tudo isso vira detalhe inconveniente. Afinal, questionar um regime que empobreceu milhões seria “interferência externa”. Já saquear o próprio país por décadas parece ter sido um gesto cultural.

Quanto à reação americana, não é imperialismo. É defesa. Os EUA abriram os olhos, estão se dedicando a proteger sua indústria, sua tecnologia e sua autonomia. Estão resgatando fábricas de volta, investindo em indústrias pesadas, protegendo a produção de semicondutores e reduzindo a dependência da Ásia. Isso não é protecionismo por capricho, mas estratégia para não ficar refém de um regime que censura, persegue opositores e não respeita regras claras.

A disputa com a China vai muito além de soldados. É uma guerra silenciosa por chips, dados, energia e produção. Taiwan está no centro desse conflito. A ilha não é apenas um território: é estratégica. Quem controla os semicondutores controla o futuro. Se a China dominar esse setor, poderá ditar o ritmo da economia e da tecnologia mundial.

Na Europa Oriental, a Rússia segue atacando a Ucrânia, matando pessoas inocentes. Mas quem se importa com a soberania da Ucrânia?

Na América do Sul, acendeu-se um farol de alerta. Os Estados Unidos não podem permitir que um continente rico em água, energia, minérios e alimentos caia sob controle russo-chinês. Isso mudaria o equilíbrio global.

O Brasil está no centro desse cenário. É uma potência agrícola mundial, responsável por alimentar milhões de pessoas com soja, carne, milho e aves. Mas essa força está cada vez mais dependente da China. Hoje, cerca de 85% dos fertilizantes usados no país vêm da Rússia, da Ucrânia e da China. Portos estratégicos como Santos e Paranaguá recebem investimentos chineses pesados. Parte do agronegócio já depende de crédito e contratos ligados a bancos chineses.

A China não apenas compra do Brasil. Ela já influencia preços, logística e financiamento. Ao controlar fertilizantes, portos e crédito, Pequim ganha poder sobre a produção de alimentos. Isso transforma o Brasil, pouco a pouco, em dependente. A situação se agrava com uma política externa que se aproxima de China e Rússia, enquanto o atual governo brasileiro trata o agronegócio como vilão e trava investimentos em infraestrutura e transporte.

Quem controla o adubo pode controlar a comida. Quem controla portos, crédito e safras controla países inteiros.

Ao contrário do discurso comum, os Estados Unidos não buscam o petróleo da Venezuela. Hoje, quem mais compra esse petróleo é a China, que responde por quase metade das importações. Do que se pode observar, sobre o objetivo americano, é impedir que recursos estratégicos financiem ditaduras e aprofundem o sofrimento de populações oprimidas. O cenário é claro: quem não reage, é dominado.

O Irã representa outro tipo de ameaça. Enquanto China e Rússia agem por cálculo econômico e estratégico, o Irã age por ideologia religiosa. Seu projeto não busca equilíbrio, mas confronto. Contê-lo é evitar guerras ainda mais perigosas, com risco nuclear.

No fim, o mundo voltou a se dividir às claras. De um lado, países livres, com imprensa, leis previsíveis e direitos. Do outro, regimes autoritários, que controlam informação, economia e pessoas. Os Estados Unidos decidiram agir não por nostalgia de poder, mas porque recuar significa entregar o futuro a sistemas que não toleram liberdade.

O jogo está em andamento. E nele, neutralidade é ilusão. De que lado você está?

Por Naime Márcio Martins Moraes – advogado e professor universitário