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Descontrole mental em idosos, um perigo a ser evitado

Uma das situações, no processo de envelhecimento, mais dramáticas que pode ocorrer na terceira idade, são as alterações mentais. Alguns destes desequilíbrios são de intensidade mais  leves. Uma irritação persistente, que não era habitual; outras vezes, quadros de insônia mais graves e até agressividade com palavras (grosseiras).

Agora, imagine uma pessoa acima dos seus 60, 70 anos ou 80 anos, toda equilibrada, trabalhador de instituição onde a ética e moral eram princípio, recatada, educada e de um momento para outro passa a ter comportamentos inadequados. Já não quer tomar banho, algumas vezes uma semana ou mais, e muito menos trocar de roupas; não quer alimentar-se, nem doces ou guloseimas, tendendo para anemia; não quer tomar água, ficando desidratada; não dorme nem de dia nem de noite, algumas vezes, durante três, quatro dias, fica acordada; essa pessoa fica andando pela casa gritando, despida e muitas vezes toda suja de urina e fezes. Bate um desespero na família! O que fazer?
Sabemos que algumas desordens no cérebro, como quedas ou tumores ou mesmo uma falta de circulação, podem produzir situações graves; mas na maioria das vezes, não há nenhuma causa aparente.

Foi pensando em situações assim, que orientamos familiares e cuidadores terceirizados, a observação diária do comportamento do idoso. Fazer uma anotação, já que situações podem surgir lentamente.
Muitas vezes, devemos lembrar que o idoso tem um comportamento mais explosivo, é da sua natureza, entretanto, quando situações extrapolam o equilíbrio, a sensatez, a  preocupação aumentar, pois traz uma série de situações, especialmente com risco de vida para o paciente, visto que podem sair de dentro de casa, irem para rua e serem atropelados.
Tenho visto muito isso nos hospitais. E com tristeza, situações que deveriam ser tomadas rapidamente. Profissionais como médicos clínicos gerais, geriatras e psiquiatrias podem e devem ser acionados para resolução do problema. Algumas vezes no pronto-socorro.
Para tranquilizar familiares, muitas vezes um medicamento na dose e horário corretos será suficiente para restaurar o equilibro físico e particularmente mental. Situações que não podem perdurar.

Por Sergio Munhoz Pereira – Médico e criador dos projetos “Cuidar dos pais em casa” e “Cuidadores de Excelência”.