
“Velha toda murcha credooo.”
“Vai se vestir, sua velha ridícula.”
“Vai se vestir, véia!!! Está muito vulgar.”
“Pra que isso? Tem que ser pelada?”
“Que horror, acha que está linda. Ridícula.”
“Ela só quer mostrar as pelancas kkk.”
“Coitada, tá caduca.”
“Ridícula, totalmente ridícula, velha murcha.”
“A velha ridícula está querendo competir com as garotinhas.”
“Olha o corpo da velha. Só pelanca.”
“Mas a cara não nega que tá velha. Essa mulher parece que tem 80 anos, está com o rosto muito envelhecido.”
“Você não tem espelho? Não se enxerga? Velha pelada é muito feio.” Estes foram apenas alguns dos comentários que a fisiculturista Mônica Bousquet recebeu no seu perfil do Instagram após postar um vídeo fazendo cárdio na bike de biquíni.
O que mais me chamou atenção é que todos comentários —todos— foram feitos por mulheres.
Aos 54 anos, Mônica recebeu o diagnóstico de condromalácia nos dois joelhos e a indicação médica de fortalecer a musculatura como tratamento. Ela precisou escolher: conviver com dor constante ou mudar radicalmente o estilo de vida. Escolheu mudar. Com treinos diários, sentiu alívio das dores, mais disposição, autonomia e força física.
“Encontrei meu propósito de vida: provar às mulheres que é possível virar a chave em qualquer idade.”
Aos 54 anos, Mônica tinha pânico de envelhecer e de se tornar dependente da única filha. Hoje, dez anos depois, diz que seu projeto de vida é “envelhecer com saúde física e mental, namorar muito, ter orgulho da sua idade e diminuir cada vez mais o tamanho do biquíni”.
No Dia Internacional da Mulher, 8 de Março, Mônica vai fazer 64 anos. Ela diz que vive o melhor momento da vida: faz duas faculdades —Educação Física e Nutrição—, compete como fisiculturista e conquista medalhas, tem milhões de seguidoras e também seguidores nas redes sociais, e é referência para incontáveis mulheres que querem envelhecer com mais saúde, autonomia e coragem.
Quando Mônica me pediu para escrever um texto no meu Instagram sobre as agressões que sofreu —e ainda sofre— nas redes sociais, imediatamente me lembrei de um caso famoso aqui no Rio de Janeiro. Aos 72 anos, a atriz Betty Faria foi à praia de biquíni e ficou assustada com os comentários ofensivos que recebeu, especialmente das mulheres.
“Velha baranga, sem espelho, e outras ofensas que, passada a raiva, me fizeram pensar na burca. Então querem que eu vá à praia de burca, que eu me esconda, que me envergonhe de ter envelhecido? E a minha liberdade? Depois de tantas restrições alimentares, remédios para tomar, exercícios a fazer, vícios a evitar, todos próprios da idade, ainda preciso andar de burca? E o meu prazer, a minha alegria, o meu humor?”
Betty Faria disse que, com o tempo, passou a enxergar com mais clareza o que viveu.
“Percebi que, sem querer, virei uma referência para muitas mulheres da minha idade. Significou uma carta de alforria para elas.”
Por que será que as mulheres que estão envelhecendo incomodam tanto?
Por que será que os corpos das mulheres, especialmente aqueles que não correspondem aos modelos valorizados em uma cultura velhofóbica, provocam tantos preconceitos, críticas e ofensas, especialmente entre as próprias mulheres?
Por que será que as mulheres de mais de 60 anos deveriam ter vergonha de exibir seus corpos de biquíni?
Por que será que tantas mulheres agridem, criticam e ofendem as mulheres que querem envelhecer com mais liberdade?
Por quê?






