
O presidente do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Idosa (CEDEDIPI-MT), o advogado Isandir Rezende, defendeu a criação de um mapeamento estadual como estratégia fundamental para estruturar e tornar mais eficazes as políticas públicas voltadas à população idosa em Mato Grosso.
A proposta foi reforçada durante entrevista concedida à jornalista Ana Cristina Vieira, no programa Conexão Poder.
Segundo o advogado, um dos principais desafios enfrentados atualmente é a falta de dados atualizados e integrados sobre a população idosa, o que dificulta a atuação do poder público e o direcionamento de ações mais assertivas.
Rezende explicou que, embora existam informações disponíveis em sistemas como o Cadastro Único, ainda há carência de integração entre áreas como saúde, assistência social e educação, o que impede a construção de um diagnóstico completo da realidade em cada município.
“Nós precisamos desenvolver um mapeamento e manter esse banco de dados atualizado”, destacou.
Para o presidente, a criação de um banco de dados dinâmico e constantemente atualizado permitiria identificar com mais precisão onde estão os idosos, quais são suas principais necessidades e como o Estado pode atuar de forma mais eficiente.
Outro ponto levantado na entrevista diz respeito à dificuldade de manter contato com esse público. De acordo com Isandir, mudanças frequentes de telefone — muitas vezes causadas por excesso de ligações de instituições financeiras — acabam prejudicando o acompanhamento e o acesso às políticas públicas.
Como alternativa, ele sugeriu a adoção de mecanismos que incentivem a atualização periódica cadastral, fortalecendo a comunicação entre o poder público e a população idosa.
Integração de políticas e atuação em rede
Durante a entrevista, o presidente também reforçou que a efetividade dos direitos da pessoa idosa depende da atuação integrada entre diferentes áreas do governo.
Para isso, é necessário que as políticas públicas deixem de ser isoladas e passem a funcionar de forma interligada, envolvendo saúde, educação, assistência social e demais setores, garantindo, na prática, o cumprimento do Estatuto do Idoso.
Nesse contexto, a articulação entre instituições e a construção de uma rede de proteção são apontadas como caminhos para assegurar mais dignidade e qualidade de vida à população idosa.
Rezende também citou avanços na criação de estruturas voltadas ao atendimento desse público, como a construção de Instituições de Longa Permanência para Idosos (ILPIs) em municípios do estado.
De acordo com Isandir, cinco cidades foram contempladas com o projeto, sendo que três já estão com obras em andamento, o que representa um passo importante para ampliar a rede de acolhimento.





