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Idosa dos EUA fica com pele azulada e preta após reação rara a antibiótico para rosácea; estudo analisou caso

Imagens da pele da idosa — Foto: The New England Journal of Medicine

As imagens de uma idosa, de 68 anos, dos Estados Unidos, que teve a pele tomada por manchas azuladas e enegrecidas após o uso de um antibiótico comum estão repercutindo nas redes sociais e chamando atenção para um efeito colateral raro da medicação. O caso foi publicado no The New England Journal of Medicine, na sexta-feira (1), e descreve um quadro de hiperpigmentação induzida por minociclina, medicamento frequentemente prescrito para tratar rosácea e acne grave.

A paciente havia iniciado o uso diário de 100 miligramas de minociclina para controlar a rosácea, condição de pele que provoca vermelhidão, ardência e pequenas lesões inflamadas no rosto. Apenas duas semanas depois, ela percebeu o surgimento de manchas escuras nos membros.

Com o passar das semanas, as marcas escamosas, que variavam entre azul-acinzentado, azul escuro e preto intenso, começaram nas pernas e se espalharam para os braços e até para as laterais da língua.

Reação rara e de longa duração

Os médicos diagnosticaram o quadro como hiperpigmentação tipo II induzida por minociclina, definida como uma descoloração azul-acinzentada da pele normal, principalmente nas superfícies extensoras dos braços e pernas, segundo o relato publicado.

Além desse tipo, o antibiótico também pode provocar outras duas formas de hiperpigmentação. O tipo I está associado a cicatrizes e inflamações na pele, com manchas azul-escuras, enquanto o tipo III causa áreas marrom-escuras em regiões mais expostas ao sol.

A paciente foi orientada a interromper imediatamente o uso da minociclina e a evitar exposição solar, já que os raios ultravioleta podem agravar o quadro. Seis semanas depois, as manchas haviam clareado parcialmente, mas ainda permaneciam visíveis.

Segundo um estudo da Universidade de Oxford citado no relatório, até 28% das pessoas com rosácea tratadas com minociclina podem desenvolver algum grau de descoloração da pele, embora a pesquisa tenha sido feita com um número pequeno de pacientes.

Os autores destacaram que o caso chamou atenção pela rapidez com que a reação surgiu. Embora a hiperpigmentação do tipo I possa aparecer logo no início do tratamento, os tipos II e III costumam surgir apenas após meses de uso. “Normalmente, desenvolve-se após meses de tratamento, mas raramente pode ocorrer com tratamentos mais curtos”, afirmaram à Live Science.

Ainda não há consenso sobre a causa exata dessa reação, mas especialistas acreditam que ela esteja relacionada à forma como o antibiótico é metabolizado pelo organismo, podendo aumentar a atividade das células produtoras de melanina, pigmento responsável pela cor da pele.

Em alguns pacientes, mesmo após a suspensão do medicamento, a descoloração pode levar anos para desaparecer, e, em casos mais raros, pode se tornar permanente.

Fonte: O Globo