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Projeto capacita idosos de Cuiabá e Várzea Grande para uso seguro de tecnologias

Neuza Batista é empreendedora e participa do projeto “Educação Tecnológica 60+”, desenvolvido pelo UniSenai MT

O Centro Universitário do Senai Mato Grosso (UniSenai MT) deu início ao projeto Educação Tecnológica 60+, uma iniciativa focada na inclusão digital, no fortalecimento da autonomia e no incentivo à participação social de pessoas idosas. A proposta, que foi selecionada em uma chamada pública do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) voltada a projetos de extensão e pesquisa, visa capacitar 40 moradores de Cuiabá e da região metropolitana, com as atividades inaugurais ocorrendo no último sábado (15).

O objetivo central é preparar os alunos para operarem dispositivos e ferramentas digitais com maior segurança e consciência. Além de evitar riscos, o projeto busca facilitar o acesso dos idosos a informações, serviços públicos essenciais e espaços de engajamento comunitário. A execução conta com a colaboração de docentes, técnicos e estudantes extensionistas do UniSenai MT, além de parcerias estratégicas com a Secretaria de Estado de Assistência Social e Cidadania (Setasc-MT) e a Secretaria Municipal de Assistência Social de Várzea Grande.

Para a pró-reitora do UniSenai MT, Ana Cristina Caldart, a iniciativa é fundamental para alinhar a formação técnica às demandas reais da terceira idade. “A inclusão tecnológica representa também autonomia, segurança e cidadania. Hoje, muitos serviços e informações estão disponíveis digitalmente, e garantir que as pessoas idosas tenham condições de acessar essas ferramentas de forma consciente é ampliar a capacidade de participação delas na sociedade”, afirmou.

O projeto é um desdobramento de ações de letramento digital que a instituição já vinha conduzindo. Fabiano Pontes, coordenador do Eixo de Informação e Comunicação, explica que a experiência prévia com o programa Educação 60+ serviu como alicerce para a proposta aprovada pelo CNPq. Segundo ele, o novo formato permitiu expandir o escopo, integrando não apenas o aprendizado técnico, mas também discussões sobre cidadania e o cotidiano dos participantes.

A grade de oficinas é multidisciplinar e abrange diversos temas. Entre os conteúdos programados, destacam-se orientações sobre o uso seguro da internet, prevenção contra golpes virtuais, noções de computação, conceitos básicos de geociências e até atividades práticas, como a confecção de sabonetes artesanais. O corpo docente é composto por profissionais das áreas de Tecnologia da Informação, Química, Geologia e Psicologia, garantindo um suporte integral aos alunos.

Edijane Breunig, técnica em Serviço Social da Setasc-MT, ressalta que a capacitação é um passo importante para reduzir a dependência de familiares. “A tecnologia está presente em praticamente tudo e, muitas vezes, o idoso depende de filhos ou netos para acessar um serviço. Esse conhecimento é importante para que eles tenham mais independência e segurança, inclusive para se proteger de golpes”, pontua. A visão é compartilhada por Leda Márcia, gerente do Centro de Convivência Vovô Zeid, em Várzea Grande, que reforça a necessidade de autonomia diante da digitalização dos serviços.

Entre os participantes, a empreendedora Neuza Batista busca no projeto uma forma de profissionalizar seu negócio. Ela relata que deseja aprender a gerenciar links e postagens para atender clientes de outros estados com mais confiança. Além disso, Neuza busca proteção, já que foi vítima de um golpe via Pix no passado. “Quero aprender para não passar por isso novamente”, desabafou.

Além das oficinas, o projeto prevê a realização de uma pesquisa acadêmica sobre letramento digital e envelhecimento ativo. Os dados coletados durante o curso serão utilizados para a produção de artigos científicos, consolidando a integração entre ensino, extensão e pesquisa. A iniciativa está alinhada às diretrizes do CNPq para o fortalecimento da sociedade civil e a democratização do conhecimento tecnológico nos territórios.