Articulação mira ampliar destinação do IR aos fundos da pessoa idosa

O volume de recursos destinados aos Fundos da Pessoa Idosa em Mato Grosso ainda está distante da capacidade econômica do Estado, especialmente nos municípios de maior porte. Para o representante da Fundação Abrigo do Bom Jesus de Cuiabá no CEDEDIPI-MT, Evaldo Pereira da Silva Júnior, esse descompasso limita a execução e a expansão de políticas públicas fundamentais voltadas à população idosa.
O tema foi discutido durante reunião realizada na última quinta-feira (06/02), na sede do Conselho Regional de Contabilidade de Mato Grosso (CRC-MT), que reuniu representantes do poder público e da sociedade civil para alinhar estratégias de mobilização e fortalecer a destinação do Imposto de Renda aos Fundos da Infância e Adolescência (FIA) e da Pessoa Idosa (FDI) no Estado.
Embora alguns municípios apresentem desempenho positivo, a arrecadação geral permanece aquém do potencial existente, sobretudo nos grandes centros urbanos. Converter essa capacidade financeira em recursos efetivos é apontado como medida decisiva para assegurar políticas contínuas, estruturadas e de maior alcance para os idosos.
Municípios do interior lideram destinações em 2025
Dados apresentados pelo CRC-MT, com base no Painel de Monitoramento 2025, mostram que cidades do interior têm se destacado proporcionalmente na destinação ao Fundo da Pessoa Idosa. O ranking é liderado por Primavera do Leste, com R$ 2,63 milhões destinados por 222 contribuintes, diante de um potencial estimado em R$ 9 milhões. Em seguida aparecem Sorriso (R$ 1,60 milhão), Sinop (R$ 1,30 milhão), Cuiabá (R$ 1,20 milhão) e Rondonópolis (R$ 1,03 milhão).
Apesar de figurar entre os cinco primeiros, Cuiabá chama atenção pelo descompasso entre arrecadação e capacidade econômica. A capital tem potencial para destinar cerca de R$ 97 milhões, mas alcançou pouco mais de R$ 1,2 milhão no período analisado.
Para Evaldo Pereira, esse “gap” evidencia a necessidade de maior envolvimento do setor empresarial e dos contribuintes de maior renda. Ele ressalta que a destinação não representa custo adicional, mas a escolha de aplicar parte do imposto devido diretamente no município.
“Quando o contribuinte destina, o recurso deixa de ir para o caixa geral da União e permanece na cidade, financiando lares de longa permanência, centros de convivência, ações de saúde e programas de lazer. Sem esse recurso carimbado, muitos projetos não saem do papel ou não conseguem ampliar o atendimento”, explicou.
Na avaliação do conselheiro, a participação do empresariado deve ser vista como investimento social direto, com impacto concreto na qualidade de vida da população idosa e no fortalecimento da rede de proteção local.
Estratégia integrada para ampliar a conscientização
Durante a reunião, o CEDEDIPI-MT reafirmou seu engajamento em uma campanha articulada voltada à ampliação da arrecadação ainda neste ano. A estratégia aposta na atuação conjunta com instituições como o CRC-MT, a Associação para o Desenvolvimento dos Municípios (APDM), o Ministério Público, a Assembleia Legislativa e demais entidades parceiras.
Entre as principais frentes de atuação estão a mobilização institucional junto à classe empresarial, a capacitação dos municípios para manter os fundos regularizados e aptos a receber recursos, além de campanhas educativas para desmistificar o processo de destinação. “É um procedimento seguro, fiscalizado e que não gera custo extra ao contribuinte. Nosso foco é transformar potencial em realidade para os idosos do nosso estado”, afirmou.
O conselheiro também destacou o papel estratégico dos profissionais da contabilidade. “O contador é o principal consultor do empresário. Por isso, a parceria com o CRC é fundamental para que essa orientação chegue corretamente aos contribuintes”, reforçou.
A transparência na aplicação dos recursos foi apontada como essencial para ampliar a confiança de quem realiza a destinação. A divulgação clara de como o dinheiro está sendo investido fortalece a credibilidade dos fundos e estimula novas adesões, contribuindo para a consolidação de políticas públicas voltadas ao envelhecimento com dignidade em Mato Grosso.





