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Quanto vale a economia prateada?

Foto: Pixabay

Não é de hoje que falamos sobre envelhecimento e mudança demográfica. Afinal de contas, essa é uma transformação contínua que, embora avance de forma gradual, redefine diferentes setores da economia brasileira. O empreendedor que não consegue reconhecer essas novas demandas e adaptar seu negócio a essa recente gama de clientes perde em oportunidades de lucro.

Os impactos dessa transformação vão muito além do consumidor. Eles alcançam outras dimensões, do setor público ao privado, passando pelo mercado de trabalho, pela acessibilidade, pelo empreendedorismo e, principalmente, pelas estruturas familiares. Tais setores abrem oportunidades à medida que a população envelhece de maneira mais saudável e ativa.

Outro fator que reforça essa transformação demográfica é a queda da taxa de fecundidade no Brasil. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o país está abaixo do nível de reposição populacional, com a média de filhos por mulher passando de 1,90 em 2010 para 1,55 em 2022.

Em paralelo, o aumento da longevidade amplia a participação da população idosa na sociedade. Projeções demográficas indicam que, até 2030, o número de pessoas com 60 anos ou mais poderá superar o de crianças e adolescentes de até 14 anos, o que evidencia uma mudança no perfil etário do país e nas demandas de consumo e de serviços.

Um levantamento do Instituto de Estudos de Marketing Industrial (IEMI) aponta que, nos últimos 25 anos, a idade média do consumidor brasileiro passou de 28 para 36 anos. No mesmo período, a participação das pessoas com 45 anos ou mais no público consumidor aumentou de 23% para 38%. Ou seja, o cliente também está mudando.

Do ponto de vista econômico, essa transformação já apresenta números expressivos. Segundo o estudo “Brasil Prateado”, desenvolvido pela consultoria Data8, o consumo da população com mais de 50 anos movimentou R$ 1,8 trilhão em 2024 – o equivalente a 24% do consumo privado dos domicílios brasileiros. A projeção é que esse valor alcance R$ 3,8 trilhões em 2044, o que representará 35% da aquisição domiciliar privada do país.

Esse cenário evidencia que a longevidade não deve ser encarada apenas como um desafio social, mas também como uma oportunidade estratégica para o empreendedorismo. Setores como saúde, serviços, moradia, tecnologia e lazer podem encontrar novas possibilidades de expansão à medida que compreendem as necessidades desse público.

No mercado de cuidados, por exemplo, o número de micro e pequenas empresas voltadas à assistência domiciliar a idosos e pacientes cresceu 74% entre 2020 e 2025, segundo levantamento do Sebrae com base em dados da Receita Federal.

Porém, mesmo com tamanho potencial econômico, a população madura ainda enfrenta barreiras, como invalidação e esquecimento. A visão do envelhecimento como sinônimo de dependência e perda de autonomia influencia no imaginário popular, e por intermédio, afeta também as movimentações nas empresas. Logo, uma barreira é estabelecida tanto do lado dos empreendedores quanto do público 60+.

Fonte: Jornal O Tempo