
O Brasil chega a este Dia das Crianças com 36,6 milhões de pessoas com 60 anos ou mais e 26,4 milhões de crianças de até 9 anos. A diferença de 10 milhões a favor dos idosos reflete uma virada demográfica que começou em 2020 e deve se aprofundar: em 2040, serão 2,5 idosos para cada criança. Mesmo assim, a data está mais forte, segundo estudo do Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo & Mercado de Consumo (Ibevar)-FIA Business School.
Em 2000, as crianças eram 19,8% da população. Hoje são 12,3%, ou um em cada oito brasileiros. Já em 18 das 27 unidades da Federação há mais idosos do que crianças. O Rio Grande do Sul lidera, com 1,96 idoso por criança. Alagoas é o mais recente a virar, em 2026.
A busca por “presente de Dia das Crianças” no Google dobrou em relação a 2019. No mesmo período, a busca por presente de Natal subiu 22%, a de Dia dos Pais ficou praticamente estável e a de Dia dos Namorados caiu 45%.
O gasto real por criança, descontada a inflação, chega a R$ 369. É o maior valor desde o início da série, em 2005, e supera o pico de 2014 (R$ 354). O valor total da data ainda não alcançou o recorde daquele ano, mas o país tem hoje 3 milhões de crianças a menos, e cada uma recebe mais.
Os filhos são 50% dos presenteados. Sobrinhos respondem por 34% e netos por 16%. Com menos crianças e mais adultos ao redor de cada uma, o presente vem de mais gente da família. A comunicação do varejo precisa falar com tios e avós, não só com pais.
O desejo da criança muda cada vez mais rápido. Labubu e Bobbie Goods estão 96% abaixo do pico de julho de 2025. O álbum da Copa perdeu 99% do interesse em cinco meses, e o bebê reborn perdeu metade em uma única semana. A febre deste ano é o squishy, que bateu o próprio recorde de buscas na semana passada.
Entre janeiro e setembro, o patinete registrou a maior alta de interesse (43%). As plataformas de games também sobem: Steam (28%), PlayStation (25%) e Xbox (12%). Fantasia (-18%), bicicleta infantil (-16%) e quebra-cabeça (-12%) perdem espaço.
Nos últimos 12 meses, o brinquedo subiu 3,6%, abaixo do IPCA (4,2%). A pressão está nos itens que acompanham o presente: chocolate (12,5%) e videogame (12,0%).
O emprego vive o melhor momento da série, com desemprego de 5,3%, mas o orçamento das famílias está apertado. A inadimplência no crédito livre atingiu recorde de 8,01% em agosto, e 49,9% da renda está comprometida com dívidas. Entre os compradores, 37% têm contas em atraso e 12% admitem deixar de pagar uma conta para não deixar a criança sem presente.
Pesquisa de intenção de compras indica que 58% vão presentear
Já pesquisa de intenção de compras realizada pela Alqia mostra que o Dia das Crianças de 2026 deve movimentar um consumidor disposto a investir mais nos presentes e a diversificar suas escolhas.
O estudo também mostra que 11% dos consumidores pretendem gastar mais de R$ 1 mil, quase o dobro do registrado no ano passado, quando 6% declararam essa intenção. O estudo da Alqia mostra ainda que 58% decidiram presentear. Brinquedos e jogos e vestuário seguem na preferência do consumidor, mas em queda diante do aumento de outros segmentos. Filhos e enteados devem ser os mais presenteados, mas o dobro de pessoas deve presentear namorados e cônjuges em relação ao ano anterior.
O movimento de alta também aparece nas demais faixas de maior investimento. 9% dos consumidores pretendem desembolsar entre R$ 501 e R$ 1 mil, um aumento em relação aos pouco mais de 6% registrados no ano anterior. Somadas, as duas faixas indicam uma disposição maior para compras de tíquete mais elevado neste Dia das Crianças.
A pesquisa realizada pela administradora de shopping centers com atuação nacional aponta que brinquedos e jogos seguem liderando a preferência do consumidor, com 47%, mas registram queda de 10% na comparação com 2025. O vestuário também perdeu participação, recuando 18%, depois de ter crescido 65% ante 2024. Eletroeletrônicos e gadgets mantiveram o mesmo índice dos dois últimos anos.
Enquanto as categorias tradicionalmente associadas à data perderam espaço, outras avançaram. Guloseimas e alimentos passaram de 8% para 13%, enquanto livros e outros presentes culturais saltaram de 5% para 9%. Já as experiências em família, como passeios, viagens e outras atividades, cresceram e chegaram a 6%.
Filhos e enteados continuam sendo os principais destinatários dos presentes, escolhidos por 61% dos consumidores na pesquisa da Alqia. Sobrinhos aparecem em seguida, com 18%, enquanto 12% pretendem presentear afilhados, filhos de amigos ou de vizinhos e 6%, os netos. Já os presentes para namorados, esposas e maridos alcançam 15% das intenções, praticamente o dobro do registrado no ano anterior, reforçando a presença de um público adulto nas movimentações da data.
A Pesquisa de Intenção de Compra para o Dia das Crianças ouviu aproximadamente 34 mil pessoas entre os dias 19 e 29 de setembro nas regiões Sudeste, Nordeste, Norte e Sul.
Fonte: Monitor Mercantil





