
Comer quando sente fome, reconhecer o momento de parar e deixar de tratar os alimentos como motivo de culpa são alguns dos princípios da chamada alimentação intuitiva. A abordagem, que propõe uma relação menos rígida com a comida, foi associada a níveis mais baixos de estresse, maior duração do sono e mais atividade física em um estudo publicado em setembro, no Journal of Behavioral Medicine.
A pesquisa reuniu respostas de 1.057 adultos nos Estados Unidos, com idade média de 36 anos. Os participantes preencheram questionários sobre hábitos alimentares, estresse, sono, atividade física e histórico de doenças crônicas. Os pesquisadores observaram que pessoas com pontuações mais altas nos indicadores de alimentação intuitiva também apresentavam menor probabilidade de relatar diagnósticos de hipertensão, colesterol elevado e diabetes tipo 2.
A associação apareceu em diferentes indicadores. A cada aumento de um ponto na escala utilizada para medir a alimentação intuitiva, as chances de histórico de pressão alta eram 47% menores. Para colesterol elevado, a redução associada foi de 50%. No caso do diabetes tipo 2, chegou a 43%.
Os resultados também apontaram uma relação com o bem-estar cotidiano. Participantes com maior pontuação nesse tipo de comportamento alimentar relataram menos estresse nas duas semanas anteriores à pesquisa, além de maior probabilidade de dormir pelo menos sete horas durante a semana e de praticar atividade física.
A alimentação intuitiva não significa comer sem qualquer atenção à saúde ou abandonar recomendações nutricionais. A proposta é reconhecer os sinais internos de fome e saciedade e usá-los como referência para decidir quando, quanto e o que comer. Também envolve evitar regras alimentares excessivamente rígidas e a classificação moral dos alimentos como “bons” ou “ruins”.
Os autores ressaltam, porém, que o estudo não demonstra que comer intuitivamente previne doenças ou reduz diretamente o estresse. A pesquisa foi baseada em questionários e observou associações em um único momento, sem acompanhar os participantes ao longo do tempo. Portanto, não é possível estabelecer se a alimentação intuitiva contribuiu para os indicadores positivos ou se pessoas com melhores condições de saúde tendem a apresentar uma relação mais tranquila com a comida.
Fonte: O Globo





