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Como alcançar um envelhecimento saudável: a verdade que ninguém te conta

Foto: Istock Getty Images

O envelhecimento saudável começa muito antes do que imaginamos, não quando já estamos idosos. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), trata-se de “um processo de otimização das oportunidades de saúde, participação e segurança, com o objetivo de melhorar a qualidade de vida à medida em que as pessoas ficam mais velhas”. Na verdade, preparar-se para envelhecer vai muito além de tratamentos estéticos ou intensificar exercícios físicos – é necessário iniciar este processo ainda na juventude.

Para alcançarmos um envelhecimento saudável, precisamos entender que não existe fórmula mágica. O modo como vivemos hoje determina como será nossa velhice. Portanto, devemos nos educar continuamente para essa fase que pode ser a mais bonita e tranquila da vida. Neste artigo, vamos explorar os quatro pilares essenciais do envelhecimento ativo: saúde, participação, aprendizagem continuada e segurança. Além disso, compartilharemos dicas práticas para que possamos juntos cultivar um caminho consciente para uma maturidade plena de significado e qualidade.

O que é envelhecimento saudável de verdade?

Contrário ao que muitos pensam, envelhecer não é sinônimo de adoecer. A velhice representa um processo natural que começa ainda no ventre materno, resultando de mudanças psicológicas, biológicas e sociais. A Organização Mundial da Saúde define o envelhecimento saudável como um processo contínuo de otimização das habilidades funcionais, promovendo independência e qualidade de vida ao longo dos anos.

Na verdade, envelhecer com saúde vai além da ausência de doenças. Trata-se de preservar a funcionalidade do corpo, a clareza mental e o equilíbrio hormonal necessários para uma vida de qualidade. As pesquisas mostram que, a partir dos 40 anos, o corpo já começa a apresentar alguns sinais de “desgaste”. No entanto, esses sinais não determinam um declínio inevitável.

O conceito de idade é multidimensional e a cronologia, por si só, não é uma boa medida do desenvolvimento humano. Afinal, podem ser observadas diferentes idades biológicas em pessoas com a mesma idade cronológica. A capacidade de adaptação às perdas decorrentes do envelhecimento depende da resiliência desenvolvida ao longo da trajetória de vida.

Além disso, a Década do Envelhecimento Saudável 2021-2030, declarada pela ONU, reconhece a importância global desse tema, buscando não apenas “adicionar anos à vida, mas também vida aos anos”. Portanto, o verdadeiro envelhecimento saudável está na manutenção da autonomia e na qualidade das experiências vividas.

Os 4 pilares do envelhecimento ativo segundo a OMS

A Organização Mundial da Saúde (OMS) apresenta uma visão abrangente sobre o processo de envelhecimento. O termo “envelhecimento ativo” foi adotado pela OMS no final dos anos 90, transmitindo uma mensagem mais completa que “envelhecimento saudável”.

Segundo a OMS, o envelhecimento ativo é “o processo de otimização das oportunidades de saúde, participação e segurança, com o objetivo de melhorar a qualidade de vida à medida que as pessoas ficam mais velhas”. Este conceito se baseia em quatro pilares fundamentais que sustentam uma velhice digna e plena.

O primeiro pilar é a saúde, que vai além da ausência de doenças, referindo-se ao bem-estar físico, mental e social. O segundo pilar é a participação social, considerada essencial para um envelhecimento bem-sucedido, fortalecendo vínculos intergeracionais e evitando situações de isolamento.

O terceiro pilar é a aprendizagem ao longo da vida, que mantém a mente ativa e contribui para a saúde mental. Estudos mostram que adultos mais velhos que se desafiam a aprender coisas novas têm menos probabilidade de sentir solidão ou depressão.

O quarto pilar é a segurança/proteção, que inclui tanto aspectos financeiros quanto físicos e emocionais. Em São Paulo, por exemplo, estes pilares são implementados de forma transversalizada, reconhecendo que estão interligados.

Portanto, o envelhecimento ativo aplica-se tanto a indivíduos quanto a grupos, permitindo que percebam seu potencial para o bem-estar em todas as dimensões da vida.

Dicas práticas para cultivar um envelhecimento saudável

Para colocar em prática os pilares do envelhecimento ativo, precisamos adotar hábitos específicos no dia a dia. Inicialmente, a prática regular de atividade física é fundamental – apenas 30 minutos diários já trazem benefícios significativos, melhorando a disposição, autonomia e independência. Exercícios de força são essenciais para manter a massa muscular, enquanto os de equilíbrio ajudam a prevenir quedas.

Além disso, uma alimentação balanceada desempenha papel crucial. Priorize frutas, vegetais, grãos integrais e evite sal em excesso e gorduras animais. Beba pelo menos 2 litros de água diariamente.

O sono adequado também merece atenção. Evite cafeína próximo ao horário de dormir e faça refeições até duas horas antes de se deitar. Mantenha horários regulares, mesmo nos fins de semana.

Para controlar o estresse, técnicas de relaxamento como meditação e respiração profunda são eficazes. Também é essencial manter vínculos sociais saudáveis – pessoas com relacionamentos calorosos tendem a sentir menos dor e lidar melhor com o estresse.

Exercitar a mente é igualmente importante: faça palavras cruzadas, crie listas de compras para testar a memória, e mantenha-se socialmente ativo. Por fim, não negligencie o planejamento financeiro – começar a poupar cedo proporciona mais tranquilidade na aposentadoria.

Envelhecer com saúde constitui um processo que exige atenção e cuidado desde cedo. Através deste artigo, podemos perceber que o envelhecimento saudável não surge magicamente quando chegamos à terceira idade, mas resulta de escolhas feitas ao longo de toda a vida. Os quatro pilares estabelecidos pela OMS – saúde, participação, aprendizagem continuada e segurança – formam a base para uma maturidade plena de significado.

Certamente, nossas escolhas diárias impactam diretamente como viveremos nossa velhice. A prática regular de atividade física, alimentação equilibrada e sono de qualidade representam apenas o começo deste caminho. Além disso, o cultivo de relações sociais significativas e o constante estímulo mental contribuem igualmente para nosso bem-estar futuro.

O planejamento financeiro, embora frequentemente negligenciado, merece destaque especial nesta jornada. Começar a poupar cedo proporciona tranquilidade e segurança quando chegamos à aposentadoria, complementando os outros aspectos do envelhecimento ativo.

A idade cronológica, afinal, representa apenas um número. A verdadeira medida de juventude encontra-se na funcionalidade, autonomia e qualidade de vida que conseguimos manter. Pessoas com a mesma idade podem apresentar capacidades físicas e mentais completamente diferentes, dependendo de como viveram e dos hábitos que cultivaram.

Nunca é tarde demais para começar a investir em um envelhecimento saudável, mas quanto antes iniciarmos, melhores serão os resultados. O objetivo não deve ser simplesmente viver mais, mas viver melhor, com propósito e dignidade.

Nosso desafio diário consiste em implementar pequenas mudanças que, somadas ao longo do tempo, farão toda a diferença. Assim construiremos não apenas uma velhice saudável, mas uma vida plena em todas as suas fases.

Fonte: Portal Ciclo