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Cale a boca! A sabedoria não grita

Vivemos a era da exposição, da verborragia digital, da necessidade patológica de se manifestar mesmo sem saber. As redes sociais se tornaram tribunais informais onde qualquer um se acha juiz, promotor e executor. A fala precipitada virou arma, mas também laço: quem fala demais entrega-se. É nesse cenário caótico que ecoa um grito silencioso da sabedoria milenar: cale-se!

Sim, fique em silêncio! Porque o silêncio é espada invisível que corta sem ser vista. É escudo que protege do fogo cruzado da precipitação. É estratégia de guerra. Na vida e nas batalhas espirituais, políticas, emocionais. O silêncio é arma dos prudentes.

Na guerra, os generais não anunciam onde vão lançar suas bombas. Mas na guerra moderna das narrativas, cada tolo corre para falar primeiro, como se vencer a pressa fosse sinônimo de vencer a razão. Que estupidez! Quem fala no calor da emoção se condena e pior não pode mais voltar atrás, pois agora suas palavras habitam o mundo virtual, capturadas, arquivadas, utilizadas.

Cale a boca! fique em silêncio! Porque o silêncio é, muitas vezes, o último refúgio dos sensatos diante do pandemônio dos imbecis. Provérbios 17:28 nos sacode com a sua verdade atemporal: “Até o insensato passará por sábio se ficar quieto e, se contiver a língua, parecerá que tem discernimento.”

O silêncio traz inquietação aos adversários, deixa-os perdidos, sem direção, porque nada desestabiliza mais do que não saber o que o outro pensa, planeja ou sente. Eles esperam reação, esperam defesa, esperam ataque. Mas encontram o nada. O silêncio causa agonia, dúvida, paranoia. É um campo minado invisível, onde qualquer passo em falso pode ser fatal para o outro.

Enquanto isso, o que muito fala exibe sua fragilidade, seu descontrole emocional. Mostra que está vulnerável, que é manipulável, que age por impulso e, portanto, pode ser facilmente vencido. Quem fala demais entrega suas fraquezas, revela suas armas, antecipa seus passos. É como um general tolo que revela o plano de guerra antes do ata

Na Raiva, No Impulso, Na Ignorância: Cale-se! Provérbios 14:29: “Aquele que é tardio em irar-se é grande em entendimento, mas o que é impaciente exalta a loucura.” Provérbios 15:1: “A resposta branda desvia o furor, mas a palavra dura suscita a ira” Provérbios 10:19: “Na multidão de palavras não falta transgressão, mas o que modera os seus lábios é sábio.”

Por isso, cale-se. Saia discretamente, sem ser notado. Faça uma pausa. Escolha novas armas. Reavalie. Ore. Reflita. Espere. Muitas vezes, entrar mudo e sair calado de uma reunião é o ato mais sábio do dia. Os tolos vão achar fraqueza, mas difícil mesmo é calar se no momento certo e é essa dificuldade que revela os verdadeiros vencedores.

Desde os temos dos Filósofos o silîencio é tido como comportamentos dos sabios.

Sócrates: “Fala, para que eu te conheça.” Mas e se nos calarmos? Mostramos que sabemos esperar o momento certo. Epicteto: “Só ouça, e seja paciente. Muitos falam para responder, poucos escutam para entender.” Schopenhauer: “Discutir com tolos é como dar murros em ponta de faca.” Confúcio: “O sábio evita disputas, pois sabe que o silêncio é a melhor resposta aos tolos.

” Calar-se é um gesto de poder. É o momento em que você se recusa a ser marionete das emoções, joguete da opinião alheia ou prisioneiro do ego.

Calar é um Ato de Guerra, Fé e Sabedoria, portanto, aprenda a CALAR A BOCA.

Por Naime Márcio Martins Moraes – advogado e professor universitário