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Idosos apresentam doenças que podem ter sido causadas por pombos

‘Doença do pombo’ é causada pela infecção do fungo Cryptococcus – Pixabay/Reprodução

Idosos do Abrigo Bom Jesus de Cuiabá estão sendo acometidos por doenças respiratórias e de pele. A suspeita é de que os casos são em decorrência da presença de pombos no local. Diante disso, a diretoria do abrigo solicitou os medicamentos receitados para tratamento e controle dos casos à Secretaria Municipal de Saúde (SMS) de Cuiabá. A SMS, no entanto, orientou o encaminhamento dos pacientes para as unidades básicas de saúde (UBSs).

Atualmente, o abrigo acolhe 92 pessoas. Ao menos 10 idosos apresentaram problemas respiratórios, sendo que dois deles precisaram de internação, além de outros que apresentam sintomas de escabiose, doença contagiosa que se manifesta através de intensa coceira, especialmente à noite, e erupções cutâneas com pequenas bolinhas vermelhas e túneis na pele.

Em entrevista ao programa Balanço Geral, a médica geriatra Lauriany Damasceno explicou que a presença em grande quantidade de pombos resulta consequentemente em grande quantidade de fezes e, com o tempo seco, partículas delas ficam dispersas no ar, o que pode causar casos de hipersensibilidade respiratória, pneumonites, inflamações das vias aéreas.

Também podem ocorrer casos da criptococose, conhecida como doença do pombo. “Mas, a maior preocupação nossa, hoje, não é nem a criptococose, mas sim as pneumonites inflamatórias causadas pelas fezes dos pombos e as penugens das penas deles”, disse.

A geriatra explicou ainda que a avaliação dos casos de pele foi feita por uma dermatologista voluntária, com o tratamento feito em todo o abrigo, ou seja, idosos e funcionários, seguindo os protocolos específicos por se tratar de uma instituição de longa permanência para idosos (LPI).

Devido ao número de pessoas, de medicamentos e a situação de urgência, a diretoria da instituição encaminhou à Secretaria Municipal de Saúde (SMS) o pedido de encaminhamento de 1,6 mil doses de ivermectina e de 360 unidades loção de permetrina.

Ao abrigo, a SMS informou, no entanto, que há um termo de cooperação entre o ente público e a organização de sociedade civil (nº 001/2023) com vigência de 12 meses a partir da data de assinatura e publicação, prorrogável conforme interesse e conveniência das partes. Mas, que “o referido instrumento não prevê o fornecimento de medicamentos e insumos, estando sua abrangência limitada à disponibilização de recursos humanos para atendimentos aos usuários da instituição”.

“Dessa forma, orientamos que os usuários da Fundação sejam encaminhados às Unidades Básicas de Saúde (UBSs) da rede municipal, onde poderão ser atendidos conforme os protocolos e fluxos assistenciais estabelecidos em igualdade de condições com os demais munícipes”, diz a SMS no ofício (nº 1543/2025) encaminhado ao Bom Jesus.

Outro problema é o controle dos pombos. Um ofício foi encaminhado à Secretaria de Meio Ambiente, que disse não ser responsável pela questão. Sem predadores naturais e com alimento e abrigo em abundância, os pombos se proliferam com certa facilidade. Porém, matar pombos é crime ambiental e pode gerar consequências legais como multas e até reclusão.

Para conter as superpopulações, Cuiabá adotou uma lei (nº 6.340/2019), que proíbe alimentar e abrigar pombos urbanos em espaços públicos e privados, e exige que proprietários de imóveis com infestação tomem medidas para dificultar o pouso e a nidificação dessas aves. A lei também estabelece multas para quem descumprir a proibição, sendo R$ 200,00 para a primeira infração e valor dobrado em caso de reincidência.

Fonte :Diário de Cuiabá