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Flávio x Lula: Brasil vai às urnas para decidir eleição mais apertada de sua História

Montagem reúne fotos de apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do senador Flávio Bolsonaro (PL), que se enfrentam nas urnas no segundo turno neste domingo — Foto: Editoria de Arte

A décima eleição presidencial após a redemocratização chega ao fim hoje e um resultado histórico sairá das urnas logo mais. Se o senador Flávio Bolsonaro (PL) vencer a disputa, consolidará um inédito poder no período da Nova República em torno de uma única família, um ano depois da prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro — neste caso, ele se juntaria no ano que vem à madrasta Michelle e o irmão Carlos, eleitos para o Senado, e a Jair Renan, novo deputado federal.

Se o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ganhar na sua última campanha, pela primeira vez um candidato sairá do primeiro turno atrás do oponente e virará a corrida eleitoral. O petista exerceria o quarto mandato, podendo chegar a 16 anos no Planalto, dois a menos que Getúlio Vargas, o presidente mais longevo no cargo no período republicano (1930-1945 e 1951-1954).

As pesquisas divulgadas na noite de ontem permanecem deixando o cenário indefinido — uma marca desde o início da campanha —, mas com ligeira vantagem para Flávio. Quaest e Datafolha apontaram o senador com 51% das intenções de votos válidos contra 49% de Lula, um empate técnico na margem de erro.

Caso confirmado, o resultado será semelhante ao de 2022, só que com sinais trocados. Na última eleição, o petista foi eleito com 50,9% dos votos válidos contra 49,1% de Jair Bolsonaro.

Foco no Master e INSS

O eleitor, que no primeiro turno se mostrou desinteressado da campanha de acordo com as pesquisas, se engajou em outubro — direita e esquerda lotaram as ruas em atos de Norte a Sul do país. Ontem, no último dia antes da votação, manifestações a favor de Flávio e Lula mobilizaram milhares de pessoas em Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais. Horas antes, o debate na TV Globo atraiu a atenção de milhões de brasileiros, gerando cortes de vídeos que viralizaram nas redes ao longo do dia.

Nas três semanas de campanha no segundo turno, finalmente foram travados debates programáticos antes eclipsados pelos escândalos do INSS e do Banco Master, que direcionaram a atenção do eleitorado para disputas internas no Supremo Tribunal Federal (STF). Mesmo com a mudança de foco, em diversos momentos os dois candidatos deixaram a sensação ao eleitor de que faltavam respostas claras sobre diversos assuntos.

Na economia, Flávio prometeu um ajuste de R$ 200 bilhões no Orçamento, mas não detalhou de onde cortará custos e apresentou propostas insuficientes de aumento de receitas — enquanto prometia, por exemplo, não aumentar impostos.

Já Lula, que lançou um pacote de bondades de impacto fiscal estimado em R$ 300 bilhões, também não deixou claro como as novas políticas públicas poderiam estar alinhadas a uma redução da relação dívida/PIB, que ultrapassou a barreira de 81% — o maior nível desde a pandemia de Covid-19. Em diversos momentos da campanha, o presidente minimizou a necessidade de ajuste fiscal, a despeito do crescente endividamento.

Mudanças de posição

Direita e esquerda também decidiram recuar de posições históricas para não perder votos. A votação do fim da escala 6×1 no Senado obrigou Flávio a se posicionar a favor da proposta, que passou anos sendo criticada por parlamentares do PL. A tramitação da PEC da Segurança Pública no Congresso Nacional levou Lula a falar pela primeira vez na redução da maioridade penal para crimes hediondos.

Na hora dos encontros cara a cara, no entanto, Flávio e Lula preferiram as ofensas pessoais à apresentação de soluções para o futuro do país nos debates de TV. Depois de passarem o primeiro turno se recusando a participar de confrontos com Augusto Cury (Avante), Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão) e Romeu Zema (Novo), o senador e o petista se xingaram na Band e na Globo de “miliciano” e “ladrão”.

O clima bélico da campanha deve se refletir no próximo mandato, independentemente de quem for eleito esta noite. Flávio tem pela frente a agenda conflituosa de tirar o próprio pai da prisão, anistiar os condenados pelo 8 de Janeiro e o impeachment do ministro do Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. Já Lula, para colocar em prática as suas promessas de campanha, terá que lidar com um Congresso hostil em que o PL terá a maior bancada na Câmara e no Senado.

Fonte: O Globo