
No Brasil, são consideradas idosas as pessoas com 60 anos ou mais. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2024, o País tem mais de 36 milhões de pessoas nessa faixa etária, e a população idosa cresce, em média, 1,1 milhão de pessoas por ano. Diante desse cenário, uma pesquisa do Programa de Pós-Graduação em Gerontologia da Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH) da USP busca compreender como são formadas as redes de suporte social de pessoas idosas e quais vínculos contribuem para o acompanhamento e o cuidado ao longo da vida.
O estudo integra a Escala de Rede de Suporte Social de Idosos (ERSSI), instrumento psicométrico brasileiro desenvolvido para mapear e avaliar a estrutura, a composição e as dimensões das redes de apoio dessa população.
Camila Rocha Ferreira, pesquisadora do grupo, explica que o aumento da expectativa de vida é uma conquista contemporânea, mas ressalta a importância de discutir as condições em que as pessoas envelhecem.
“A gente precisa entender e considerar se essa pessoa tem autonomia, se ela tem qualidade de vida, quais são as suas condições de moradia e de renda. E, diante desse contexto, quais são as suas principais relações: quem acompanha essa pessoa ao longo da vida. Esses são os aspectos fundamentais da rede de suporte social que precisam ser discutidos sobre o processo de envelhecimento: com quem a gente pode contar quando a gente precisa de ajuda? Quem é que vai nos acompanhar em uma consulta médica, nos auxiliar na vida cotidiana?”, questiona.
A pesquisadora destaca que a ausência de apoio pode agravar a situação de vulnerabilidade das pessoas idosas, especialmente daquelas que já enfrentam dificuldades sociais e econômicas.
Redes de apoio vão além dos vínculos familiares
Ainda de acordo com Camila, as pessoas não envelhecem da mesma maneira. Além das condições individuais de saúde, fatores sociais, biológicos e estruturais influenciam as diferentes experiências de envelhecimento. Por isso, a pesquisa pretende identificar como essas redes estão organizadas e quem são as pessoas que as compõem.
O suporte social não se limita à assistência prática: inclui também o acolhimento emocional e a convivência cotidiana. “Quem são as pessoas que acompanham essas redes de suporte, quais são essas pessoas, qual é o contato cotidiano com essas pessoas?”, resume a pesquisadora.
Plataforma busca garantir segurança aos participantes
Desiree Rodrigues da Veiga, também pesquisadora do projeto, explica que a plataforma on-line foi criada para divulgar o estudo e apresentar informações sobre os dados já coletados, além de oferecer transparência e segurança a quem deseja participar.
“A ideia de criar uma plataforma é para transmitir segurança para quem vai responder. Quando a gente fala de pesquisa de forma geral, em formato on-line, e principalmente para as populações com 60 anos ou mais, a gente ainda tem uma grande preocupação com a fraude, o número alto de golpes que as populações recebem”, afirma.
Segundo Desiree, a disponibilização de informações concretas, contatos e registros dos locais em que a pesquisa foi divulgada ajuda a esclarecer o trabalho desenvolvido e a transmitir credibilidade aos participantes.
Como participar
Neste momento, o estudo tem como foco principal as pessoas LGBTQIAPN+ com 60 anos ou mais. No entanto, pessoas idosas que não pertencem a essa comunidade também podem contribuir com a pesquisa.
Para participar, basta preencher o questionário on-line. O mapeamento poderá ajudar a identificar as principais necessidades das pessoas idosas em diferentes regiões do País e fornecer subsídios para a elaboração de políticas públicas. A proposta considera não apenas os vínculos familiares, mas também as relações com amigos, vizinhos e outras pessoas que participam efetivamente da vida cotidiana.
“Conhecer as redes é um passo importante para as políticas, porque a gente deixa de trabalhar pressupostos e passa a considerar a pessoa. Considerar as experiências concretas das pessoas. E aí a gente respeita a história, que é fundamental”, conclui a pesquisadora.
Fonte: Jornal Da USP





