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Isolamento atinge 1 em cada 4 idosos, alerta OMS; veja como manter vínculos

Foto: divulgação

Um em cada quatro idosos vive em situação de isolamento social, segundo estimativa da Organização Mundial da Saúde (OMS). Manter vínculos e uma rotina de convivência pode contribuir para a saúde física, emocional e cognitiva ao longo do envelhecimento.

Na terceira idade, manter relações sociais não é apenas uma forma de tornar a rotina mais agradável: é também parte do cuidado com a saúde. Ter com quem conversar, sair de casa para encontrar outras pessoas, participar de uma atividade em grupo ou saber que alguém vai ligar no fim do dia pode ter importância maior do que se pensa.

“Embora isolamento e solidão não sejam sinônimos — uma pessoa pode morar sozinha e manter uma vida social ativa, assim como pode sentir-se só mesmo cercada de pessoas —, ambos merecem atenção. A desconexão social está associada a prejuízos à saúde física e mental e à qualidade de vida”, afirma a geriatra da MedSênior, Fernanda Sperandio.

Segundo ela, a preocupação se torna ainda mais relevante porque o envelhecimento pode trazer mudanças que favorecem o afastamento social. “A aposentadoria altera a rotina e reduz a convivência cotidiana com colegas; os filhos podem morar longe; amigos e companheiros podem falecer; dificuldades de locomoção, audição ou outras questões de saúde podem tornar as saídas menos frequentes. Aos poucos, e muitas vezes sem que a família perceba, a rede de relações vai diminuindo”, comenta.

A geriatra explica que esse processo pode repercutir também na saúde cognitiva. “Estudos vêm relacionando isolamento social e solidão a maior risco de declínio cognitivo e demência. Por outro lado, atividades significativas realizadas em companhia de outras pessoas podem contribuir para o bem-estar, o senso de propósito e a manutenção das funções cognitivas”, diz.

Não é preciso ter uma agenda cheia para permanecer socialmente conectado. Qualidade e regularidade das relações são mais importantes do que simplesmente acumular compromissos.

Maneiras de manter os vínculos na terceira idade

Tenha compromissos sociais na agenda

Assim como consultas e atividades físicas, encontros também podem fazer parte da rotina. Um café semanal com amigos, almoço em família, encontro na igreja ou uma caminhada acompanhada ajudam a criar regularidade e evitam que a convivência dependa apenas de ocasiões especiais.

Pratique uma atividade física em grupo

Academia, hidroginástica, dança, caminhada ou outras atividades coletivas oferecem um benefício duplo: movimentam o corpo e favorecem novos vínculos. A convivência frequente também ajuda a criar uma sensação de pertencimento.

Aprenda algo novo

Curso de idioma, informática, culinária, artesanato, música ou qualquer outra atividade de interesse pode estimular o cérebro e, quando realizada em grupo, ampliar o círculo social.

Use a tecnologia para aproximar, não para substituir

WhatsApp, chamadas de vídeo e redes sociais podem ser grandes aliados, principalmente quando filhos, netos e amigos moram longe. Mas, sempre que possível, o contato digital deve complementar — e não substituir completamente — os encontros presenciais. Ficar preso só ao celular pode ser prejudicial.

Retome antigas amizades

Nem sempre é necessário começar uma nova rede social do zero. Procurar antigos colegas de trabalho, vizinhos ou amigos com quem o contato diminuiu ao longo dos anos pode reativar vínculos importantes.

Cultive relações entre diferentes gerações

Conviver com filhos e netos é importante, mas as relações intergeracionais podem ir além da família. Cursos, projetos comunitários e atividades de voluntariado aproximam pessoas de idades diferentes e promovem troca de experiências.

Encontre uma atividade com propósito

Voluntariado, participação em associações, projetos comunitários ou mesmo ajudar alguém regularmente pode reforçar a percepção de utilidade e pertencimento. Ter uma razão para sair de casa e encontrar outras pessoas faz diferença.

Não abandone os programas por causa de pequenas limitações

Dificuldade para caminhar, ouvir ou enxergar pode fazer com que o idoso comece a recusar convites. Muitas vezes, adaptações simples, tratamento adequado e apoio da família permitem manter atividades que dão prazer e favorecem a convivência.

Família: não espere o idoso pedir companhia

O isolamento pode se instalar silenciosamente. Ligações, visitas, convites e inclusão nas decisões e programas familiares são formas de preservar vínculos. É importante, porém, respeitar a autonomia: estar presente não significa decidir tudo pelo idoso.

Observe mudanças de comportamento

Parar de sair, perder interesse por atividades antes prazerosas, evitar contatos, apresentar alterações importantes no sono ou no apetite e demonstrar tristeza persistente são sinais que merecem atenção. O afastamento social também pode estar relacionado a depressão, problemas de audição, dificuldades de mobilidade ou outras condições de saúde que precisam ser avaliadas.

Fonte: Portal ESHOJE