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Setembro Amarelo pede atenção aos idosos e doentes crônicos

Crédito: Matheus Campos

A prevenção do suicídio entre idosos e pessoas com doenças crônicas ou que dependem de cuidados contínuos merece atenção durante todo o ano, mas o Setembro Amarelo abre espaço para ampliar essa conversa. Para a Palliative Care, empresa de atenção domiciliar com atuação em Campinas, Região Metropolitana e São Paulo, a campanha também é uma oportunidade de chamar a atenção para o sofrimento emocional que pode acompanhar o adoecimento e para a importância de reconhecer sinais que nem sempre são percebidos pela família.

A psiquiatra Jéssica Müller, que integra a equipe da Palliative Care, explica que a perda de autonomia, a dor crônica, o isolamento social e uma sequência de perdas podem aumentar a vulnerabilidade emocional. “No fundo, muita coisa se resume a dois sentimentos que caminham juntos: a pessoa sentir que virou um peso para quem cuida dela, e sentir que não pertence mais a lugar nenhum, que perdeu seu espaço na família ou na vida social. Esses dois sentimentos, juntos, explicam boa parte do sofrimento que leva a pensamentos de morte nesse grupo”.

Segundo a médica, também merecem atenção diagnósticos recentes de doenças graves ou incapacitantes, histórico de transtornos psiquiátricos não tratados, múltiplas doenças e o uso de muitos medicamentos. O primeiro ano após uma notícia de doença grave pode ser especialmente delicado. “Praticamente todos esses fatores aparecem, de um jeito ou de outro, em quem enfrenta doença crônica, depende de cuidados contínuos ou está em cuidados paliativos”, observa a doutora.

Sinais que não devem ser naturalizados

No convívio diário, algumas mudanças podem ser confundidas com o envelhecimento ou com os sintomas da própria doença. Apatia, lentidão, insônia, isolamento social e abandono do autocuidado, por exemplo, merecem ser observados quando representam uma mudança no comportamento habitual.

“Não é preciso esperar uma fala explícita para se preocupar e buscar ajuda: observar o comportamento como um todo já é, em si, uma forma de cuidado”, enfatiza Jéssica.

A psiquiatra também chama a atenção para frases como “eu só dou trabalho” ou “seria melhor para todo mundo se eu não estivesse mais aqui”, além de mudanças bruscas de humor, recusa de tratamento e afastamento repentino do convívio social. “Às vezes a pessoa nega, quando perguntada, que está pensando em morrer, e mesmo assim pode estar vivendo um momento de crise real”, pontua a especialista.

Acolher sem minimizar

Diante de uma fala sobre morte ou desejo de morrer, a orientação é levar a sério, escutar sem julgamento e perguntar diretamente se a pessoa pensa em morrer ou em se matar. A Dra. Jéssica argumenta: “Pode parecer contraintuitivo, mas a ciência já mostrou várias vezes que perguntar isso não aumenta o risco nem ‘planta a ideia’ na cabeça de ninguém. Pelo contrário, costuma aliviar a pessoa e abrir espaço para que ela peça ajuda”.

A médica recomenda comunicar o profissional que acompanha o paciente o quanto antes. Em situações de risco iminente, a pessoa não deve ser deixada sozinha e é necessário buscar ajuda médica imediatamente. “Não minimize, não repreenda nem faça sermão, não prometa guardar segredo sobre algo que envolve risco de vida e não trate o suicídio como um tema proibido de se falar”, sugere.

Quem cuida também precisa de atenção

O sofrimento emocional não se limita ao paciente. A rotina de cuidados pode envolver sobrecarga física, financeira e emocional, especialmente quando o familiar acumula essa responsabilidade com trabalho e outras tarefas. A falta de apoio, o isolamento social e a dificuldade de lidar com comportamentos mais complexos também podem contribuir para o esgotamento.

“Cuidar de alguém que a gente ama, dia após dia, é um dos trabalhos mais exigentes que existem, e é possível chegar a um ponto de esgotamento, apesar de todo o afeto envolvido. Perceber isso a tempo não é fraqueza, é cuidado com quem cuida”, destaca a Dra. Jéssica.

Cansaço persistente, irritabilidade, insônia, abandono da própria saúde e frases como “não aguento mais” ou “não sei até quando vou dar conta” são sinais que merecem atenção. Para a psiquiatra, a equipe de saúde deve perguntar ativamente como o cuidador está, sem esperar que ele procure ajuda espontaneamente.

Dividir as responsabilidades é uma das formas de reduzir essa sobrecarga. “Quando o cuidador principal está mais protegido emocionalmente, o cuidado que ele oferece também tende a ser melhor.” Nesse processo, familiares, cuidadores profissionais, médicos, psicólogos, psiquiatras e grupos de apoio podem contribuir de maneiras diferentes.

A atenção domiciliar como espaço de observação
A Palliative Care é uma empresa de atenção domiciliar com atuação em Campinas, Região Metropolitana e São Paulo, formada por equipe multiprofissional especializada no acompanhamento de pacientes idosos, oncológicos e com doenças crônicas ou limitações funcionais. Com experiência consolidada no cuidado em domicílio, oferece assistência personalizada, que respeita a rotina de cada família e prioriza conforto, segurança e orientação contínua ao longo do processo de adoecimento.

Nesse contexto, o acompanhamento em casa permite observar mudanças que podem passar despercebidas em consultas pontuais, como alterações no autocuidado, na disposição, na relação com a família e na adesão ao tratamento. “Quem acompanha o paciente em casa, ao longo do tempo, enxerga coisas que uma consulta rápida no consultório simplesmente não mostra”, frisa a psiquiatra.

Quando há risco imediato

Em situações de risco imediato, como uma tentativa em curso, intoxicação ou quando já existe um plano definido, a orientação é chamar o SAMU, pelo 192, ou procurar o pronto-socorro mais próximo. O CVV (Centro de Valorização da Vida) atende pelo 188, gratuitamente, 24 horas por dia, além de oferecer atendimento por chat e e-mail. Os CAPS (Centros de Atenção Psicossocial) e as Unidades Básicas de Saúde também são portas de entrada para buscar ajuda.

Fonte: Notícia distribuída pela saladanoticia.com.br. A Plataforma e Veículo não são responsáveis pelo conteúdo publicado, estes são assumidos pelo Autor(a): ANTONIA MARIA ABDO ZOGAEB STEPHAN
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