
Sábado, 7h, no topo de um arranha-céu, na alameda Santos, ao lado da avenida Paulista, em São Paulo, 15 colchões de água sustentavam 15 pessoas, com tapa-olhos atoalhados brancos e cobertores leves dessa mesma cor. Por quase uma hora, apitos, tigelas sonoras, flautas, sementes, handpan (o instrumento de metal que lembra uma nave espacial) e outros sons que simulam a natureza levaram essas pessoas ao relaxamento. Todos saíram de lá com passos leves, pensamentos claros e recuperaram a capacidade de ouvir áudios na velocidade real em que foram gravados. Havia um grupo no heliponto do mesmo edifício, meditando com as palavras sábias e calmantes do monge sem religião Satyanatha, já entrevistado neste espaço. Eu estava em uma sala alguns andares abaixo, numa prática de yoga. No espaço ao lado, outro grupo fazia alongamento em colchões com luz infravermelha. O dia seguiu assim, com várias práticas de autoconhecimento, bem-estar, espiritualidade e muitos debates sobre longevidade, saúde, melhores escolhas. E no domingo, 7h da manhã, tudo começou de novo.
No fim de semana de 29 e 30 de agosto, participei com outras 1500 pessoas da segunda edição do Aurora Festival, no Tivoli Mofarrej, um encontro idealizado por Bruna Gama, Giuliana Sesso e Camila Espinosa. Inspirado em festivais como o SXSW, que ocorre todo ano em Austin, Texas; e Eudemonia Summit, também anual e realizado na Flórida, EUA, entre outros, o Aurora tem tempero nacional e conta com a recepção atenta das organizadoras, sorridentes e presentes para solucionar problemas e acolher os presentes.
A ideia do festival é mostrar muitas possibilidades de desenvolvimento pessoal em atividades concomitantes. Para isso, 12 salas do hotel foram ocupadas por 140 palestrantes que participaram de mais de 60 mesas de debates enquanto atividades como as citadas na abertura do texto ocorriam em alguns espaços. No hall entre as salas havia uma série de marcas mostrando detergentes, desodorantes, sabonetes e afins que não ferem a natureza, lubrificantes íntimos à base de ingredientes naturais como o jambu, maquiagens e xampus de marcas de beleza limpa, bem como estandes e áreas de convivência com aparelhos desinflamantes de pele, couro cabeludo à base de LED e outras descobertas altamente tecnológicas. Ao visitante coube usufruir o máximo que pudesse e, bem informado, montar a lista de atividades que pretendia trazer para o seu dia a dia. “A vida pode ser extraordinária”, foi a ideia que mais me tocou do que ouvi de Bruna, Giuliana e Camila em um café dois dias antes do festival começar.
Bruna e Giuliana começaram nessa jornada de bem-estar há alguns anos, com a agência Good Hub; Camila também é pesquisadora do tema e participa há muito tempo de festivais sobre o assunto. Além do evento anual em São Paulo e de eventos menores e temáticos que serão divulgados no Instagram deles, o Aurora Festival tem também uma newsletter e um podcast, gravado durante o evento, o Aurora Lab (não deixe de escutar o episódio “Menopausa sem Neuras”).
Em um dos painéis a que assisti, a apresentadora da Revista CBN, a jornalista Pétria Chaves, que lançou recentemente o livro “Como sei o que sei” (editora Planeta), ensinou algumas práticas para desenvolver a intuição que já coloquei em prática: 1) Criar bolsões de silêncio durante o seu dia (reservar três a cinco minutos no meio das atividades corriqueiras para ficar em absoluto silêncio e longe de telas). 2) Ficar descalça e pisar na terra. Em alguns momentos do dia, tirar os sapatos e pisar no chão para ter consciência corporal e autorregular o corpo. 3) Praticar respirações conscientes no decorrer do dia. Contar os segundos que leva para inspirar e expirar é um bom começo. Para ter mais calma, aumente o tempo da expiração.
Por Carolina Chagas – via O Globo





