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Mais idosos, menos filhos: o desafio que inspira um novo modelo de moradia

Mais idosos, menos filhos: o desafio que inspira um novo modelo de moradia Divulgação / Freepik

O Brasil já tem mais pessoas com 60 anos ou mais do que jovens entre 15 e 24 anos. Em poucas décadas, serão 75 milhões de idosos vivendo em um país com menos nascimentos, famílias menores e uma demanda crescente por cuidado. Para o empresário Alexandre Frankel, fundador da Vitacon e da Housi, esse cenário representa muito mais do que uma mudança demográfica: é também uma transformação do mercado imobiliário brasileiro.

Esse, digamos, debate é a tese central de Envelhecemos, e agora? O futuro prateado do mercado imobiliário (Editora Chave Mestra), livro em que Frankel reúne mais de duas décadas de experiência para defender a criação de uma nova categoria de moradia voltada à longevidade. Depois de popularizar os studios e a moradia por assinatura, ele aposta agora no conceito de Senior Housi, um modelo desenhado para preservar a autonomia do idoso, com tecnologia, convivência e serviços de saúde sob demanda.

“O Brasil envelheceu muito mais rápido do que outros países. Hoje são mais idosos do que jovens. Perdemos o timing para nos preparar e agora precisamos agir rapidamente. Teremos uma população cada vez mais idosa e menos filhos para cuidar dos pais. É preciso criar novas soluções, e a moradia certamente é uma das principais. Ainda dá tempo, mas é necessário agir para cuidar bem de quem cuidou da gente a vida inteira”, afirma Frankel em conversa exclusiva.

Uma resposta brasileira para um desafio brasileiro

Ao contrário de modelos importados de residenciais para idosos, o Senior Housi foi pensado a partir da realidade econômica do país. A proposta não é oferecer um empreendimento de luxo, mas criar uma solução financeiramente viável por meio do compartilhamento de serviços e espaços.

“A grande diferença é econômica. Todo mundo gostaria de envelhecer com tudo o que há de melhor, mas essa não é a realidade da maioria dos brasileiros. Criamos um modelo que compartilha recursos para oferecer o melhor cuidado possível dentro de um orçamento que cabe no bolso”, explica.

O livro conecta esse conceito a números que ajudam a dimensionar o desafio. Hoje, cerca de 34 milhões de brasileiros têm 60 anos ou mais. Até 2050, esse grupo representará mais de 30% da população, enquanto a chamada economia prateada já movimenta aproximadamente R$ 2 trilhões por ano e responde por 39% do PIB nacional.

Um dos pontos mais provocativos da obra é a tentativa de romper com a imagem negativa das instituições para idosos. Frankel argumenta que o país ainda associa moradia sênior à perda de autonomia e ao abandono familiar, quando o verdadeiro desafio é criar ambientes que favoreçam independência e qualidade de vida.

“Nós crescemos com a ideia de que asilo era um depósito de pessoas. Queremos substituir esse conceito por um lugar do qual a família tenha orgulho: com socialização, esporte, produtividade, saúde e alegria de viver”, diz.

Para o autor, viver mais exige um novo desenho das cidades, das políticas públicas e também dos empreendimentos privados. A longevidade deixa de ser um problema para se tornar uma oportunidade de inovação. O livro é um convite para conhecer como a transição demográfica afetará habitação, consumo, tecnologia e economia nas próximas décadas. E fica a reflexão: o envelhecimento da população é um dos poucos fenômenos econômicos previsíveis. “Todos nós vamos chegar lá, se Deus quiser. A pergunta não é se o Brasil vai envelhecer. A pergunta é se estaremos preparados para viver bem essa longevidade”.

Avaliação de geriatra

Uma das grandes preocupações de idosos é a queda. Na avaliação do Dr. Thiago Bahia Vargas, médico geriatra do Hospital Orizonti, a prevenção de quedas deve envolver diferentes cuidados, começando pela preservação da força muscular. “O fator mais importante na prevenção de quedas é a força muscular, mas, a partir dos 50 anos, perdemos massa muscular a cada ano. Por isso, exercícios de força, equilíbrio e uma dieta com proteína suficiente são essenciais”, explica Dr. Thiago Bahia Vargas.

O especialista também destaca a importância de revisar os medicamentos em uso, já que alguns podem aumentar o risco de quedas. “Benzodiazepínicos, como o clonazepam, remédios com alta carga anticolinérgica, como alguns para incontinência urinária, e substâncias presentes no Dorflex e em remédios para gripe” estão entre os que merecem atenção. Por fim, ele recomenda corrigir problemas de visão, escolher calçados adequados — “chinelo de dedo é perigosíssimo” — e adaptar o ambiente, retirando tapetes soltos, melhorando a iluminação e instalando barras de apoio no banheiro, um dos locais onde mais ocorrem quedas.

Fonte: Jovem Pan