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Educação 60+ amplia autonomia e segurança digital de pessoas idosas em Mato Grosso

Projeto do UniSenai-MT capacita 40 participantes de Cuiabá e região metropolitana para o uso mais seguro e independente de tecnologias presentes no dia a dia

A tecnologia deixou de ser apenas uma facilidade para se tornar parte de atividades essenciais do cotidiano. Acessar serviços públicos, movimentar uma conta bancária, solicitar transporte, buscar informações ou se comunicar com familiares são tarefas cada vez mais mediadas por celulares, computadores e aplicativos. Para parte da população idosa, no entanto, essa transformação ainda representa um desafio e pode gerar dependência e exposição a riscos.

É nesse cenário que o projeto Educação Tecnológica 60+, desenvolvido pelo UniSenai-MT, busca ampliar a inclusão digital e proporcionar mais autonomia, segurança e participação social às pessoas com 60 anos ou mais. A iniciativa atende atualmente 40 participantes de Cuiabá e da região metropolitana. A proposta foi aprovada em chamada do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) voltada a projetos de extensão e pesquisa em participação social nos territórios.

As atividades começaram no dia 15 de agosto e envolvem profissionais de diferentes áreas, além de estudantes extensionistas. Entre os conteúdos estão o uso seguro das ferramentas digitais e a prevenção a golpes, além de conhecimentos sobre computadores e internet, qualidade de vida, participação em conselhos de saúde e assistência social e outras atividades de formação. O projeto conta ainda com a parceria da Secretaria de Estado de Assistência Social e Cidadania (Setasc-MT) e da Secretaria Municipal de Assistência Social de Várzea Grande.

Para a professora e pesquisadora do UniSenai-MT Adriana de Paula Cardoso Siqueira, a dificuldade não está somente no domínio das ferramentas. A falta de conhecimento sobre o ambiente digital também pode aumentar a exposição das pessoas idosas a situações de risco.

“Além da dificuldade de uso, existe uma preocupação importante relacionada à segurança digital. E essa falta de conhecimento pode deixar o idoso mais vulnerável a golpes, fraudes, desinformação e situações de exposição de dados pessoais”, explicou.

A pesquisadora ressalta que o objetivo vai além de ensinar comandos ou funções de um aplicativo. “A proposta não é apenas ensinar a utilizar uma ferramenta, mas desenvolver segurança e confiança para que o idoso consiga utilizá-la de maneira mais independente e consciente.”

De acordo com Adriana de Paula Cardoso Siqueira, a expectativa é que a experiência abra caminho para novas ações.

“A nossa expectativa é que essa experiência possa ser ampliada futuramente, alcançando um número maior de pessoas idosas e fortalecendo as ações de inclusão digital e participação social”, afirmou.

Novas turmas, inscrições ou futuras edições ainda dependerão da disponibilidade de vagas e de novos projetos. Segundo a pesquisadora, as informações serão divulgadas pelos canais oficiais do UniSenai-MT.

Autonomia para tarefas do cotidiano

A necessidade desse tipo de formação é percebida de perto nos espaços de convivência da população idosa. No Centro de Convivência do Idoso (CCI) Vovô Zeid Sacre, em Várzea Grande, as dificuldades com celulares, computadores e aplicativos fazem parte da realidade observada diariamente.

A gerente da unidade, Leda Márcia de Resende Rodrigues, afirmou que muitos idosos ainda encontram obstáculos até mesmo para realizar atividades digitais que já se tornaram corriqueiras.

“Com a convivência com os idosos aqui no CCI Vovô Zeid Sacre, percebemos que a grande maioria tem dificuldade em acessar os aplicativos e até mesmo no manuseio dos aparelhos digitais, como celulares e computadores”, relatou.

Para Leda, aprender a utilizar essas ferramentas também significa reduzir a necessidade de entregar informações pessoais ou pedir auxílio a terceiros. “A importância do curso está em permitir que a pessoa idosa realize tarefas essenciais sem depender dos familiares ou mesmo da ajuda de estranhos, como, por exemplo, acessar um aplicativo de banco ou solicitar um transporte.”

Inclusão digital fortalece a proteção da pessoa idosa

A conselheira do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Idosa de Mato Grosso (CEDEDIPI-MT), Maria Estela, avalia que a iniciação digital funciona também como instrumento de proteção. Para ela, o acesso ao conhecimento ajuda a pessoa idosa a identificar situações duvidosas e a evitar decisões equivocadas diante de solicitações recebidas pela internet.

“A iniciação digital auxilia as pessoas idosas a evitarem possíveis erros diante de situações sugeridas na internet. Isso melhora a qualidade de vida e oferece mais proteção, evitando situações de dúvida e decisões que podem trazer complicações, inclusive para a vida financeira”, afirmou.

O presidente do CEDEDIPI-MT, Isandir Rezende, chama atenção ainda para outro aspecto da iniciativa, o acesso à tecnologia como condição cada vez mais necessária para o exercício de direitos.

“Hoje, muitos serviços essenciais estão no ambiente digital. Por isso, não basta garantir o acesso à tecnologia, é preciso oferecer conhecimento para que a pessoa idosa possa utilizá-la com autonomia e segurança. Projetos como o Educação 60+ são importantes porque promovem inclusão, ajudam na prevenção de golpes e permitem que o idoso exerça seus direitos sem depender constantemente de outras pessoas”, concluiu Isandir.