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Flávio Bolsonaro explora caso Lulinha para desgastar Lula e foca segurança ao lado de Derrite

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) durante ato em Copacabana na estreia de sua campanha presidencial – Mauro Pimentel – 16.ago.26/AFP

Flávio Bolsonaro (PL) deu início à sua live semanal, na noite desta quinta-feira (20), seguindo estratégia de desgastar a imagem de Lula (PT) através das investigações envolvendo Fábio Luís, o Lulinha, filho do presidente.

Além disso, o senador e candidato à Presidência também explorou temas como juros e segurança pública para criticar o adversário. Ao lado do ex-secretário de Segurança Pública do governo de Tarcísio Freitas (Republicanos), em São Paulo, Guilherme Derrite, elogiou o governo de Nayib Bukele em El Salvador, e defendeu penas maiores para quem rouba celular.

“O seu número é 111, né? Tem alguma coisa a ver com o Carandiru?”, perguntou Flávio a Derrite, que negou a relação. Ocorrido em 1992, o massacre do Carandiru deixou 111 mortos.

Sobre o caso de Lulinha, Flávio afirmou que “o roubo dos aposentados do INSS chegou dentro do gabinete do Lula”.

Lulinha é alvo de três inquéritos no STF (Supremo Tribunal Federal) sobre suspeitas de tráfico de influência. As apurações conduzidas pela Polícia Federal miram negócios envolvendo o filho do presidente da República, a empresária Roberta Luchsinger e Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”.

A Polícia Federal apontou Lulinha como beneficiário indireto da ação de Roberta Luchsinger, que teria buscado contatos políticos para facilitar a venda de medicamentos à base de canabidiol ao governo federal. O apontamento da PF foi revelado em reportagem publicada nesta quinta-feira (20) pela revista Veja, com base em um dos relatórios policiais que miram o filho de Lula, cujo teor foi confirmado pela Folha.

O presidente já afirmou que, embora acredite na inocência do filho, ele precisará prová-la no processo. “Se meu filho tiver culpa, ele pagará.”

Lulinha acionou a Justiça para derrubar um vídeo publicado pelo senador Flávio Bolsonaro (PL) que liga o filho do presidente da República às suspeitas de desvio do INSS. O vídeo em questão chama Lulinha de “suspeito de ter roubado milhões de idosos no Brasil”. Em outro trecho, diz que “o roubo dos velhinhos do INSS não pode ficar impune”.

Na live, Flávio Bolsonaro disse ainda que Lula “faz mais mal do que uma guerra” para a economia de um país. A fala foi feita após Daniella Marques, ex-presidente da Caixa no governo de Jair Bolsonaro, escalada para ajudar Flávio nas propostas da área econômica, afirmar na live que o Brasil tem uma taxa real de juros maior do que a Rússia, que está há anos em guerra.

Apesar do corte na taxa básica de juros (Selic) no início do mês, para 14% ao ano, o Brasil manteve a primeira posição no ranking mundial de juros reais (descontada a inflação) segundo ranking elaborado pelo Portal MoneYou e pela Lev Intelligence.

O Brasil possui juros reais mais elevados do que Rússia (9,09%), Colômbia (6,16%), Indonésia (4,61%) e Argentina (4,51%), de acordo com o levantamento.

No início da transmissão, o candidato lamentou o fechamento de centenas de lojas das Casas Bahia. “Muito triste ver um império não está aguentando mais sobreviver nesse ambiente hostil aos empreendedores no Brasil”, disse Flávio

Ao falarem de segurança, Flávio e Derrite defenderam que “a pena do assaltante de celular deve ser quadruplicada”.

“O que a gente precisa fazer é endurecer as penas para todos os crimes”, afirmou Derrite, candidato ao Senado. “E mais importante do que quadruplicar a pena é manter ele preso.”

Ambos também elogiaram o governo de Nayib Bukele em El Salvador, o país que mais prende no mundo e é constantemente alvo de críticas de violação de direitos humanos. Nos mais de três anos de estado de exceção do país, ao menos 470 pessoas morreram sob custódia do Estado, segundo a ONG de direitos humanos Anistia Internacional.

“Por que São Paulo não virou o lugar mais seguro do mundo como é El Salvador? Por que infelizmente o mesmo criminoso é preso dez, quinze, trinta vezes”, disse Derrite, que afirmou que seria necessária a colaboração do governo federal.

Derrite também fez uma defesa da redução da maioridade penal, citando o caso de uma menina vítima de um estupro coletivo em Pernambuco, por outros estudantes da mesma escola, também menores de idade. O candidato defendeu a redução para 16 anos para qualquer crime e 14 para crimes hediondos.

Fonte: Folha de S. Paulo