Pular para o conteúdo

Quem é 60+ tem mesmo que mudar a alimentação? Médico explica

Alimentação natural — Foto: Freepik

A senescência, como é chamado o processo natural de envelhecimento das células do organismo, provoca mudanças notáveis no corpo a partir dos 60 anos. Isso impacta, de forma direta, a alimentação.

De acordo com Daniel Magnoni, cardiologista e nutrólogo, presidente do Instituto de Metabolismo e Nutrição (IMeN), a queda do apetite é uma das principais consequências.

— O intestino diminui a capacidade de trabalho, com uma digestão mais lenta e menor absorção dos nutrientes. Ocorre também a redução da resposta das papilas gustativas e uma redução sensorial do olfato. Todo esse conjunto interfere na necessidade do idoso de se alimentar — explica.

Magnoni aponta que a Taxa Metabólica Basal (TMB), a quantidade mínima de calorias necessárias em repouso para manter as funções vitais, cai. Então, quanto maior a idade, menor a necessidade calórica. Isso se traduz em uma menor necessidade na quantidade total de comida, o que é considerado natural.

Qual é a quantidade ideal de cada nutriente?

Por outro lado, a diminuição das calorias não significa que devemos comer menos proteínas, por exemplo. Devido à dificuldade em absorver aminoácidos e à presença da sarcopenia (perda de massa muscular), especialmente na terceira idade, a ingestão de proteína precisa aumentar.

Magnoni indica que é preciso calcular 1 grama de proteína por dia a cada quilo (por exemplo, uma pessoa de 60 kg precisa de 60 g de proteína) ao dia. Vale lembrar que um bife de 200 g tem 80 g de proteína.

Carboidratos, por sua vez, devem compor 50% das calorias diárias. Se uma pessoa idosa precisa de 1500 kcal diárias, ela deve comer 750 kcal de alimentos ricos em carboidratos. Mas, deve-se estar atento, segundo Magnoni, a não consumir carboidratos simples, como o açúcar refinado.

Isso é vital, pois o médico alerta que este tipo de carboidrato aumenta a glicemia (quantidade de açúcar no sangue), porém, idosos apresentam uma menor produção de insulina, que ajuda o açúcar a não se acumular e, então, virar energia para o corpo. Com essa menor quantidade de insulina, os picos de glicemia se tornam prejudiciais.

Como alternativa, ele recomenda a ingestão de carboidratos complexos (que causam picos menores de glicemia), como: arroz, pão e macarrão integrais, feijão, mandioca e batata-doce.

As fibras são mais difíceis de calcular a partir dos alimentos. Por isso, ele recomenda que os idosos comam pelo menos de 3 a 5 porções de frutas, vegetais e legumes.

— Elas contêm vitaminas e minerais e ajudam muito na constipação. São essenciais para a alimentação — diz.

Enquanto as gorduras, devem fazer parte de 30 a 35% das calorias ingeridas ao longo do dia. Devem ser priorizadas as insaturadas (“gorduras boas”), presentes no azeite, abacate e peixe. Frituras e gorduras saturadas devem ser evitadas, pela dificuldade de digestão e ação direta no colesterol “ruim”, como aponta o médico.

Fonte: O Globo