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Economia do cuidado: uma nova categoria de cuidadores começa a se desenvolver no mercado de trabalho

Há cerca de 6,2 mil Instituições de Longa Permanência para Idosos (ILPIs) no País. Cerca de 60% são filantrópicas; e 30%, privadas, concentradas nas regiões Sul e Sudeste Foto: Lightfield Studios/Adobe Stock

No dia 18 de junho, o Ministério da Saúde lançou um programa de atendimento domiciliar para idosos que não conseguem se locomover para consulta médica.

Esta é uma iniciativa de Estado para suprir necessidades de cuidado para idosos a que os filhos e parentes já não conseguem atender.

E isso não só porque a população de pessoas com mais de 60 anos, hoje de 35,2 milhões, aumentou (nada menos que 58,7% em 13 anos), mas também porque a estrutura e a dinâmica das famílias mudaram com a profissionalização da mulher.

A maior parte das soluções para esse novo problema está sendo prestada pela própria sociedade e pelo mercado privado. Uma nova categoria de cuidadores começa a se desenvolver no mercado de trabalho.

E isso não é só para assistência permanente. O mesmo prestador de cuidados pode atender vários idosos. Vai quando é chamado para fazer uma massagem, para trocar uma lâmpada; vai para pequenos reparos domésticos; para preparo ou entrega de refeições; para ajuda na coleta de material para análises clínicas; vai para prestar assistência como personal organizer, que ajuda no arranjo de rotinas e de tarefas do dia a dia; para levar o gato ao veterinário; para auxiliar na manipulação dos tão complicados (para eles) aplicativos e plataformas digitais; ou, ainda, para uma hora de leitura de um livro.

Há casos em que amigos de idade tratam de morar no mesmo condomínio ou em casas próximas, para ajuda mútua.

Levantamento do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) mostra que a categoria da Economia do Cuidado ocupa 24 milhões de pessoas que exercem atividades relacionadas à prestação de cuidados pessoais no Brasil. É o que equivale a 25,2% da população ocupada, mais que o dobro da média mundial, 11,5%.

É o que tem impulsionado a expansão dos serviços de longa duração destinados à população idosa. Entre eles estão as instituições de longa permanência para idosos (ILPIs), que oferecem moradia e assistência para pessoas com mais de 60 anos, com ou sem vínculo familiar.

Hoje há cerca de 6,2 mil ILPIs no País. Cerca de 60% delas são filantrópicas; e 30%, privadas, concentradas nas regiões Sul e Sudeste.

As ILPIs devem cumprir as exigências da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que define critérios mínimos de infraestrutura, equipes técnicas e protocolos assistenciais.

Essas exigências influenciam os custos de operação. Uma vaga em instituição privada pode variar entre R$ 4 mil e R$ 14 mil por mês.

Fonte: Estadão