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Qual a quantidade máxima de cafezinho que podemos consumir por dia? Médica responde essa e outras dúvidas

O café é uma das bebidas mais consumidas do mundo e está presente na rotina de quase todos os brasileiros: cerca de 96% da população recorre a uma xícara diariamente, segundo levantamento do Instituto Axxus encomendado pela Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic). E, para muita gente, uma só não basta. Quase metade (44%) diz tomar entre três e cinco cafezinhos por dia. Mas isso faz bem para a saúde?

Desde o começo da semana, o projeto Vida Boa tem se dedicado a tirar as principais dúvidas sobre o café por meio de quiz, mitos e verdades, uma receita especial e outros materiais interativos e dinâmicos. Os leitores do GLOBO também enviaram os questionamentos que ainda seguem em suas cabeças mesmo depois de ler os conteúdos exclusivos do projeto – entre eles qual o limite ideal de xícaras por dia.

Abaixo, veja as respostas da cardiologista Stephanie Rizk, um dos maiores nomes na área do país. Na semana que vem, o assunto da vez serão as gorduras, macronutrientes que, ao contrário do que muito se ouve por aí, podem sim ser aliadas de uma dieta saudável. Então não deixe de acompanhar todas as novidades no WhatsApp do Vida Boa e conferir o conteúdo completo do projeto no site e nas redes sociais do GLOBO.

O café com leite tem efeito energético também? Ou só puro?

— Dá energia também. O efeito estimulante do café vem principalmente da cafeína, e o leite não impede sua absorção de forma relevante. Ou seja, para quem toma café buscando disposição, foco ou redução da sonolência, o café com leite continua funcionando.

A diferença pode estar em outros compostos do café, como os polifenóis, que têm ação antioxidante. O leite pode reduzir parcialmente a disponibilidade desses compostos, mas isso não anula o efeito energético da bebida.

Na prática: café puro e café com leite podem “acordar” do mesmo jeito. A escolha pode ser feita mais pelo gosto, pela tolerância gástrica e pelo hábito de cada pessoa.

Café requentado ou bebido após muito tempo de ter sido feito (acima de 30 minutos, por exemplo) é ruim para a saúde?

— Em geral, não faz mal à saúde. O principal problema do café requentado ou deixado pronto por muito tempo não é toxicidade, mas a perda de qualidade.

Com o passar do tempo, o café perde aroma, muda o sabor, pode ficar mais ácido, mais amargo ou com gosto de “velho”. Isso acontece por alterações naturais dos compostos aromáticos e pela oxidação. É uma questão de sabor, não de segurança.

Tomar café requentado, portanto, não costuma representar risco para a saúde. Do ponto de vista do sabor, porém, o café fresco quase sempre será melhor.

O café em cápsula, para máquinas, na versão extra forte, possui maior concentração de cafeína?

— Nem sempre. “Extra forte”, “intenso” ou “forte” geralmente se referem mais ao sabor, ao amargor, ao corpo e ao grau de torra do café, e não necessariamente à quantidade de cafeína.

Um café pode parecer mais forte porque é mais escuro, mais amargo ou mais encorpado, mas isso não significa obrigatoriamente que ele tenha mais cafeína. O teor de cafeína depende principalmente do tipo de grão, da quantidade de café usada e do modo de preparo.

Por isso, se a preocupação for cafeína, o ideal é olhar a embalagem. A palavra “intenso” não é garantia de mais cafeína.

Qual a quantidade máxima de cafezinho que podemos consumir por dia?

—Para adultos saudáveis, o limite mais aceito é de até cerca de 400 mg de cafeína por dia, o que costuma equivaler a aproximadamente 3 a 5 xícaras de café, dependendo do tamanho da xícara e do tipo de preparo.

Vale dizer que esse consumo moderado não é apenas “seguro”: em grandes estudos, a faixa de 3 a 4 xícaras por dia aparece associada aos maiores benefícios, incluindo menor mortalidade geral e cardiovascular. Ou seja, dentro do limite, o cafezinho não é um vilão. Para muita gente, até joga a favor da saúde.

Mas a tolerância varia muito. Uma pessoa pode tomar café à tarde e dormir bem enquanto outra pode ter palpitação, ansiedade ou insônia com uma quantidade pequena.

Para gestantes e lactantes, o limite recomendado cai para cerca de 200 a 300 mg por dia. Além disso, pessoas com palpitações, ansiedade importante, insônia ou maior sensibilidade à cafeína também devem manter um limite menor e individualizado.

Na prática: para a maioria dos adultos saudáveis, 3 a 4 cafés ao dia ficam numa faixa segura, e possivelmente benéfica. O sinal de alerta é o corpo: se causa tremor, palpitação, ansiedade, refluxo ou atrapalha o sono, é melhor reduzir.

Café em cápsulas é saudável?

— Pode ser, sim. O café em cápsula preserva a cafeína e os compostos bioativos do café, como os antioxidantes, e mantém os benefícios do café tradicional quando consumido com moderação.

A preocupação com o alumínio das cápsulas é comum, mas os estudos disponíveis mostram que elas não aumentam de forma relevante a exposição à substância em comparação com outros métodos de preparo.

O ponto mais importante não é tanto se o café é coado, expresso ou em cápsula, mas sim a quantidade consumida, o horário e o que se adiciona à bebida. Muito açúcar, chantilly, xaropes e leite condensado transformam uma bebida simples e saudável em algo bem menos saudável.

Em resumo: café em cápsula pode ser uma boa opção. O cuidado maior deve ser com o excesso de cafeína, o horário, os sintomas individuais e, principalmente, com o que você adiciona ao seu café.

Uma observação à parte: do ponto de vista ambiental, a maior questão das cápsulas é o descarte. Hoje, porém, boa parte das marcas oferece programas de reciclagem e já existem opções compostáveis, o que reduz bastante esse impacto para quem se preocupa com o tema.

Fonte: O Globo