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Pesquisa revela problemas de saúde que mais afetam os idosos

A cada avanço da expectativa de vida, cresce também a necessidade de adaptação das cidades, do sistema de saúde e das políticas públicas. Uma pesquisa divulgada esta semana aponta os problemas que mais afetam a pessoa idosa.

O Estudo Longitudinal da Saúde dos Idosos Brasileiros (Elsi-Brasil) – realizado pela Fiocruz em parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) – aponta que 20,4% apresentam dificuldade para realizar ao menos uma atividade básica da vida diária, como se vestir, tomar banho, comer, usar o banheiro ou levantar-se da cama.

No Espírito Santo, isso representa mais de 145 mil pessoas, entre os 721 mil idosos.

Segundo a pesquisadora da Fiocruz Minas, Maria Fernanda Lima-Costa, além da perda de autonomia, a pesquisa acendeu um alerta para a falta de suporte aos idosos e também aos cuidadores.

Dos que têm dificuldade para realizar atividades, só 37,9% recebem algum tipo de ajuda. A situação é ainda mais delicada entre os cuidadores: apenas 5,8% receberam algum treinamento para exercer a função.

“Geralmente são mulheres, muitas deixam seus empregos para cuidar de um familiar. O estudo mostra claramente que esses cuidadores são pouco apoiados”, afirmou a pesquisadora.

Ela defende que o avanço do envelhecimento populacional exige políticas públicas mais estruturadas, tanto para os idosos quanto para quem assume os cuidados diários. “A gente tem uma demanda crescente por cuidadores no Brasil. É uma atividade muito desgastante e que precisa de apoio, treinamento e políticas específicas”, ressaltou.

Hipertensão

Outro dado que chamou a atenção dos pesquisadores foi o avanço da hipertensão entre os idosos. O levantamento identificou que 34,4% da população com 60 anos ou mais apresenta pressão arterial acima de 14 por 9.

Para Maria Fernanda, a hipertensão é hoje um dos principais desafios de saúde pública relacionados ao envelhecimento.

“Ela aumenta o risco de infarto, AVC, demência vascular e insuficiência renal. Muitas vezes a pessoa nem sabe que tem pressão alta ou então já faz tratamento, mas a medicação não está conseguindo controlar adequadamente”, explicou a pesquisadora.

Ela reforça que viver mais precisa vir acompanhado de qualidade de vida e autonomia. “Essa é a grande conquista da humanidade. Mas o nosso desafio agora é envelhecer com saúde, autonomia e suporte adequado”, concluiu.

Os números 

145 mil pessoas idosas no Espírito Santo têm dificuldades de fazer pelo menos uma atividade diária

34,4% da população com mais de 60 anos apresentam pressão acima de 14 por 9 nas medidas realizadas – o que equivale a 248 mil pessoas no Espírito Santo

Independência

Movimento

Aos 71 anos, Maria da Penha mantém rotina ativa e defende exercícios como segredo para envelhecer bem

Entre pedaladas, caminhadas, corrida e até forró, Maria da Penha Rosa dos Santos, de 71 anos, desde a juventude mantém uma rotina ativa e com independência.

Para ela, o segredo para envelhecer bem está justamente no movimento. “É preciso fazer exercício, se alimentar bem e dormir bem”, resume.

Apesar de controlar a pressão arterial com medicação, Penha afirma que mantém a saúde em dia. Faz as próprias atividades dentro de casa.

O que eles dizem 

Hipertensão

“Um dos dados que mais preocupa é a hipertensão. Encontramos 34% dos idosos brasileiros com pressão arterial acima de 14 por 9. Isso aumenta o risco de infarto, AVC e outros problemas. A hipertensão é uma doença silenciosa, e por isso as pessoas tendem a subestimar a gravidade”.

Saúde óssea

“Do ponto de vista ortopédico, envelhecer com autonomia depende de quatro pilares que se sustentam mutuamente: osso, músculo, equilíbrio e ambiente. O primeiro pilar é a saúde óssea. A recomendação é que toda mulher a partir dos 65 anos faça densitometria óssea. A maioria das diretrizes internacionais recomenda o mesmo para homens a partir dos 70 anos”.

Força muscular

“Para envelhecer bem, precisamos investir na saúde ao longo de toda a vida. Queremos viver muito, mas preservando a independência, podendo usufruir dos prazeres da vida. Exercícios que preservem a força muscular, os chamados exercícios resistidos, são essenciais”.

Pesquisa

O Estudo Longitudinal da Saúde dos Idosos Brasileiros (Elsi-Brasil) é uma pesquisa de base domiciliar conduzida pela Fiocruz Minas e pela UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), com financiamento do Ministério da Saúde.

O estudo acompanha adultos com 50 anos ou mais residentes em 70 municípios das cinco regiões brasileiras, permitindo compreender, ao longo do tempo, transformações nas condições de saúde, nos aspectos socioeconômicos e nas necessidades dessa população. O painel de indicadores é baseado nos participantes com 60 anos ou mais.

Alguns resultados

Como vivem

  • 29,1% dos idosos vivem sozinhos.
  • 83,6% vivem em zonas urbanas.

Dificuldade para realizar atividade básica da vida diária

Faixa etária – Total – Mulheres – Homens

  • 0-69 anos – 13,9% – 15,7% – 11,6%
  • 70-79 anos – 21,9% – 23,7% – 19,5%
  • Acima de 80 anos – 44,2% – 48,9% – 36,7%
  • Total – 20,4% – 23,1% – 17%

Ajuda

  • 37,9% das pessoas com dificuldade de mobilidade recebem ajuda para realizar atividades da vida diária.
  • 5,8% dos cuidadores relataram ter recebido algum tipo de treinamento para lidar com a pessoa idosa.

Atividade física

  • 50,85% praticaram 150 minutos de atividade física na última semana.

Medo de cair

  • 42,7% dos idosos que vivem em áreas urbanas relatam medo de cair em calçadas e vias públicas.
  • Entre as mulheres idosas, esse índice chega a 50,5%.
  • 20,9% sofreram alguma queda nos últimos 12 meses.

Saúde

  • 59,8% têm diagnóstico de hipertensão arterial feito por médico.
  • 24,2% têm diagnóstico médico de diabetes.
  • 29% têm diagnóstico de colesterol alto.
  • 31,9% fazem tratamento para algum tipo de sequela de AVC.

Hipertensão

  • 34,4% dos idosos apresentam níveis compatíveis com hipertensão (pressão 14 por 9 ou acima disso) no exame físico realizado.

Sobrepeso

  • 68,3% estavam com sobrepeso no momento do exame físico.

Fonte: Tribuna Online