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Idosos começam a sentir os efeitos do uso excessivo de telas e do medo de ficar desconectado

Jogos, vídeos e redes sociais passaram a ocupar parte significativa da rotina de muitos idosos brasileiros /Imagem gerada por IA – reprodução

Um estudo da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) associou o uso excessivo de celular a transtornos como insônia e ansiedade em pessoas com mais de 60 anos. A pesquisa também identificou que, entre os mais velhos, o medo de ficar desconectado também está muito presente. Pesquisadores do mundo todo vêm estudando o uso excessivo de telas em idosos.

Em entrevista ao Conexão Record News desta terça-feira (26), Renata Maria Silva Santos, terapeuta ocupacional e pesquisadora do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia da UFMG, explica que esse estudo é uma junção de várias outras pesquisas feitas ao redor do mundo que avaliaram pessoas mais velhas e identificaram problemas ou melhorias na saúde mental.

Segundo a terapeuta, essa faixa etária tem mais tendência a acreditar em fake news, pois, geralmente, as informações falsas circulam em grupos de mensagem que, anteriormente, representavam espaços confiáveis.

“A gente percebe que o uso não está sendo mais saudável quando ele começa realmente a ocupar esse papel central na rotina da pessoa. Isso já acontece em outras idades, mas a gente nem imaginava que isso ia ter uma proporção tão grande também entre as pessoas mais velhas. Então, a gente costuma dizer que o que não é saudável é o que está roubando as oportunidades de convivência e da realização das atividades normais da vida diária”, diz.

Para Renata, é importante trazer as pessoas mais velhas para o centro das conversas, para ensinar como se defender no ambiente digital, de modo a não cair em golpes e notícias falsas. “O ideal é evitar ter essa postura de ridicularizar e de infantilizar para evitar afastar essas pessoas. Então, trazê-las para junto de nós, para que nós possamos ensinar, apoiar um uso saudável, que possa proteger essas pessoas, porque elas são mais vulneráveis mesmo”, aponta.

A terapeuta ressalta a necessidade de se ter uma rotina sempre rica fora das telas, com a inclusão de esporte, atividades de lazer e convivência. “Evitar que todo mundo esteja à mesa no final de semana, por exemplo, cada um dentro do seu celular. E isso, a gente percebeu na pesquisa, que incomoda muitas pessoas mais velhas ainda. Então, é privar por esse tempo, ter um tempo protegido de interação entre os familiares mesmo”, pontua.

Fonte: R7