Bomba, bomba, mais uma bomba! A vergonha do “Messias” e do governo. Agora é rir ou chorar, dependendo de que lado se está — simples assim. As conjecturas sobre o que se passou na mente de cada senador são vastas; nem imagino. Entre a vergonha pública e o cálculo político privado, resta-nos apenas a ilação. É aquele tipo de espetáculo democrático que nos faz questionar se estamos diante de um tribunal de princípios ou de um tabuleiro de interesses puramente pragmáticos.
A rejeição do “Messias” no Senado remete-nos, inevitavelmente, ao conturbado governo de Floriano Peixoto. É irônico notar que a última vez que vimos um embate dessa magnitude foi sob a égide do “Marechal de Ferro” há 132 anos.
O embate do Senado com o STF, que antes fervilhava como um fogo de palha, agora parece querer virar fogueira na legislatura inteira. A grande dúvida que sussurra pelos corredores acarpetados de Brasília é: se o Senado teve coragem para rejeitar um nome, será que terá estômago para processar o impeachment de um ministro já entronizado na cadeira de veludo? Ou será que o fantasma do afastamento de togas saiu das redes sociais para virar apenas mais uma moeda de troca na mesa do Presidente da Casa — um recadinho esperto para negociar, e nada mais? Afinal, bravata ou barganha?
Resta saber se o Senado decidiu finalmente vestir a armadura de defensor da Constituição ou se está apenas lustrando o escudo para garantir que o próximo acordo seja fechado com letras garrafais. Afinal, em Brasília, muitas vezes o “incêndio” de hoje é apenas a fumaça que esconde o aperto de mão de amanhã.
Já nos tempos idos, dizia Rui Barbosa que o parlamento da República é uma “praça de negócios”. O mesmo Rui advertiu que a ditadura da toga é a pior de todas. Os palpites e ilações pairam sobre a rejeição do “Messias”. A advertência de Rui ressoa com uma força quase profética nos dias de hoje. Afinal, quando o equilíbrio de poderes oscila, o arbítrio judicial acaba sendo o último — e talvez o mais perigoso — recurso.
No fim das contas, a política brasileira impõe-nos este dilema existencial: o riso satírico ou o choro de desalento. A escolha depende apenas de qual lado da trincheira você decidiu montar seu acampamento.
Quanto à questão ventilada por alguns sobre a religião influenciar praticamente tudo, isso é um fato desde que as religiões surgiram. Mas fica o alerta de Jesus: o joio e o trigo são semelhantes, porém apenas o trigo produz fruto de qualidade. As três religiões mais proeminentes até os dias atuais brigam entre si e, curiosamente, as três descendem de Abraão.






