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O erro silencioso que acelera a perda de força após os 60

Atividade física é essencial para prevenir a sarcopenia Pexels

Tem cada vez mais gente pesquisando na internet por termos ligados à qualidade de vida e à atividade física na terceira idade. Dados da Sala Digital, uma parceria entre a Band e o Google, mostram uma forte alta no interesse de busca por “creatina para idosos”, “hidroginástica para idoso” e “exercícios na cadeira para idosos” nos últimos cinco anos.

Sarcopenia: por que a perda de músculo preocupa

Nesse movimento, cresce também a preocupação com a sarcopenia — perda progressiva de massa e força muscular que pode levar à redução da funcionalidade e ao aumento do risco de quedas. Segundo a Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia, cerca de 15% dos brasileiros apresentam o problema a partir dos 60 anos, proporção que pode chegar a 46% após os 80. O cenário acende um sinal de alerta para o envelhecimento saudável. 

Na prática, menos músculo significa mais dificuldade para levantar da cadeira, subir escadas ou caminhar com segurança. O tema já aparece em patamar elevado nas buscas do Google, com perguntas como “o que é sarcopenia?” e “sarcopenia tem cura?” entre as mais frequentes do último ano. Os dados indicam que o problema deixou de ser desconhecido para a população.

Atividade física é chave para a independência

Em entrevista ao programa Viver Melhor, da BandNews TV, o médico ortopedista Moisés Cohen, do Hospital Israelita Albert Einstein, desmistificou a necessidade de ambientes complexos para começar a se exercitar. “A academia é apenas um laboratório para você poder fazer atividade física, mas não necessariamente você precisa ter sequer nenhum aparato. Você pode simplesmente caminhar na rua ou no parque”, comenta.

Segundo o especialista, o fundamental é escolher uma modalidade que traga prazer, garantindo que colocar o corpo em movimento se torne um hábito.

Já sobre o declínio natural do corpo, o médico geriatra Clineu Almada, também do Hospital Israelita Albert Einstein, explicou que a perda de massa ocorre de forma gradual e contínua ao longo do tempo. “A gente vai perdendo a musculatura em torno dos 30 aos 50 anos mais ou menos uns 10%, e a partir dos 50 anos quase que 1% ao ano. Então você perde não só massa, mas força muscular.”

A relação com a segurança é direta: “Se você não tiver o mínimo de habilidade física, de força muscular, de orientação sensorial, você tem um risco muito maior” de sofrer quedas, completa.

No Brasil, estima-se que cerca de 40% dos idosos com 80 anos ou mais sofram quedas todos os anos. O perigo, inclusive, muitas vezes está dentro da própria residência.

Agora, quando o assunto é suplementação, como “creatina para idosos”, os médicos fazem um alerta importante. “Ganhar massa muscular é exercício físico. Ainda não inventaram um comprimidinho mágico que você toma e, do dia para a noite, você fica forte”, ressalta Cohen.

Almada complementa que a creatina não promove ganho de massa muscular sem treino adequado, alertando que, sem supervisão médica, o uso inadequado pode causar retenção de líquidos e aumento da pressão arterial.

As diretrizes da Organização Mundial da Saúde recomendam que adultos e idosos realizem 150 a 300 minutos semanais de atividade aeróbica, além de exercícios de fortalecimento muscular em pelo menos dois dias por semana. Estudos mostram que mais de 10 semanas de treino de força já promovem ganhos relevantes de massa muscular e desempenho funcional.

Hoje, sem medicamentos específicos para sarcopenia, o consenso é claro: exercício físico aliado à nutrição adequada é a estratégia mais eficaz para envelhecer com autonomia. Ignorar esse cuidado pode ser um erro para quem busca viver mais — e melhor.

Fonte: Band.com