Pular para o conteúdo

Pesquisa brasileira com supercentenários ganha destaque internacional

Pesquisa da USP destaca que a diversidade genética única da população brasileira pode ser a chave para uma vida ultralonga e com mais saúde | Vinicius Amano/Unsplash

Mais um artigo, decorrente do estudo do Centro de Estudos do Genoma Humano e Células-Tronco (CEGH-CEL) da USP sobre supercentenários, foi publicado. Em janeiro de 2026, a revista Genomic Psychiatry trouxe a pesquisa intitulada Insights from Brazilian supercentenarians, que descreve resultados preliminares em alguns idosos com mais de 110 anos e o que os cientistas pretendem estudar com essa coorte.

O interesse no Brasil é justificável. “Temos aqui provavelmente a maior diversidade étnica do mundo, resultado de cruzamentos entre diferentes populações, começando pelos portugueses em 1500 e depois pela vinda dos africanos entre os séculos 17 e 19”, relata Mayana Zatz, diretora do CEGH-CEL. “Posteriormente, recebemos milhões de imigrantes europeus, principalmente italianos, alemães e portugueses. E, no início do século 20, houve uma grande imigração vinda do Japão”.

A geneticista acredita que essa mistura racial permite que variantes genéticas protetoras de cada grupo étnico possam se acumular em indivíduos miscigenados. “Além disso, estamos focando em centenários que vivem em regiões distantes, sem acesso à medicina moderna e que não seguem nenhuma dieta especial. Ou seja, a sua resiliência deve ser atribuída primariamente aos seus genes”, enfatiza.

Em sua primeira coluna de 2026, Mayana Zatz conta a história do artigo e antecipa uma colaboração com o grupo da professora Ana Maria Caetano, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). “Todo mundo gostaria de ser um centenário saudável, e temos muito a aprender com eles”, conclui.

Fonte: Jornal USP