
Você já notou uma dobra ou vinco estranho nos lóbulos das suas orelhas ou nos de alguém que você conhece? Parece uma linha diagonal que se estende para trás e diagonalmente através do lóbulo da orelha, do tragus (a protuberância carnuda na frente da abertura das suas orelhas) até a borda. Essa dobra, conhecida como sinal de Frank, pode indicar doença arterial coronariana.
O sinal de Frank foi relatado pela primeira vez pelo médico Sanders T. Frank, em 1973, um pneumologista americano, notou a presença desse vinco peculiar em 20 pacientes com angina – uma condição que causa dor e desconforto no peito devido à redução do fluxo sanguíneo para o coração. Segundo Frank, esse tipo de dobra no lóbulo da orelha seria um sinal físico que poderia indicar a presença de doença arterial coronariana.
A causa desse sinal ainda não está clara. Na década de 1980, foi relatado que o sinal de Frank era causado por suprimento arterial insuficiente no lóbulo da orelha. No entanto, na década de 1990, outros pesquisadores acreditavam que o sinal estava associado à atividade dos macrófagos (um tipo de glóbulo branco), à aterosclerose, ao envelhecimento e à preservação geral do colágeno do lóbulo da orelha.
Também houve estudos genéticos que sugeriram que a dobra está relacionada aos genes HLA-B27 e C3-F e ao cromossomo 11, enquanto outros trabalhos indicaram que o sinal de Frank pode estar associado ao encurtamento dos telômeros – um processo envolvido no envelhecimento – nos glóbulos brancos periféricos.
Há também quem suponha que o sinal seja causado pela perda de fibras elásticas na pele, devido ao estresse oxidativo (moléculas nocivas ao corpo), e ao espessamento de pequenos vasos sanguíneos no lóbulo da orelha. Como os lóbulos da orelha não possuem vasos sanguíneos “colaterais”, isso poderia reduzir o fluxo sanguíneo de forma semelhante às alterações que ocorrem nas artérias do coração.
Desde que Frank descreveu pela primeira vez essa possível associação, o sinal tem sido estudado para avaliar sua ligação com diversas condições cardiovasculares e outras doenças. Embora alguns estudos tenham apoiado seu valor preditivo, outros também não demonstraram correlação significativa.
Assim, a visão médica é que a presença do sinal não é suficiente para prever a presença de um problema cardíaco, mas ele parece prevalente em algumas doenças crônicas e com o envelhecimento. A inspeção dos lóbulos das orelhas deve ser considerada parte integrante do exame físico na prática clínica para pacientes com suspeita de doença arterial coronariana.
Como acontece com muitos sinais físicos, a simples identificação é apenas o primeiro passo. Depois disso, os especialistas podem determinar a gravidade potencial de qualquer doença subjacente com base em sua aparência. O sistema de classificação do sinal de Frank é baseado no comprimento, profundidade, bilateralidade e inclinação da marca.
Uma linha unilateral e incompleta indica o caso menos grave de doença cardiovascular, enquanto uma linha bilateral completa pode indicar os casos mais graves. O sinal é bastante comum e já foi identificado em várias pessoas famosas, tanto vivas quanto mortas.
Fonte: O Globo





