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Relatório da PF sobre Toffoli tem Vorcaro combinando pagamentos para empresa do ministro

O ministro Dias Toffoli em sessão do STF, sob a presidência do ministro Edson Fachin – Pedro Ladeira/Folhapress

O relatório entregue pela PF (Polícia Federal) ao presidente do STF (Supremo Tribunal Federal) Edson Fachin tem mensagens trocadas entre o banqueiro Daniel Vorcaro e seu cunhado, Fabiano Zettel, em que ambos discutem pagamentos para a empresa Maridt, que tem entre seus sócios o ministro Dias Toffoli.

Casado com Natália Vorcaro, irmã do banqueiro, Zettel chegou a ser detido pela PF. Ele funcionava como uma espécie de gerente do caixa do cunhado.

Nas mensagens, Vorcaro e Zettel citam o nome do magistrado e combinam as transferências, que seriam pagamentos pela compra de um resort que tinha a Maridt como sócia. Há menções a pagamentos recentes, feitos em 2025, ano em que o negócio foi concluído.

Há também mensagens entre Toffoli e Vorcaro. Os dois, segundo uma pessoa que teve acesso ao relatório, não tratam de negócios nem de recursos. Apenas combinam de se encontrar.

Há ainda referências a festas e confraternizações para as quais outras autoridades, que não são do STF, são convidadas.

O conteúdo foi compartilhado por Fachin com outros ministros.

A PF sustenta que Toffoli é suspeito para seguir na relatoria do processo contra o banco. Fachin já notificou o ministro para que ele dê explicações sobre os fatos apontados no documento.

Como revelou a coluna, o próprio ministro admitiu que recebeu recursos da Maridt quando ela vendeu sua participação no resort Tayayá em 2021 para um fundo da teia do banqueiro Daniel Vorcaro.

Ele disse que isso ocorreu, naquela época, por ser sócio da empresa junto a outros familiares.

A explicação foi dada por ele a interlocutores do STF depois que a Polícia Federal informou à Corte que passou a apurar a transferência de recursos para o magistrado.

Foi a primeira vez que o magistrado detalha seu envolvimento com o resort e a companhia dos irmãos.

De acordo com a explicação dada por Toffoli, ele é sócio há vários anos da Maridt, que seria uma típica empresa familiar.

Seu nome não aparece nos documentos públicos da empresa, no entanto, porque ela é uma Sociedade Anônima de livro —em que o nome dos acionistas não é acessível a terceiros, como nas companhias abertas.

Por isso apenas o nome de dois de seus irmãos são públicos, por serem eles os administradores da empresa.

De acordo ainda com Toffoli, todas as transferências de recursos, feitas ao longo de diversos anos, foram lícitas e declaradas à Receita Federal. Têm origem e destino rastreáveis.

A Maridt era dona de 33% do resort Tayayá, que foi vendido em 2021 para o fundo Arleen, parte de uma teia controlada pelo banco Master.

O ministro afirmou a interlocutores também que o próprio fundo já vendeu as ações para terceiros, e com lucro.

O negócio, portanto, teria sido lícito. Na época, Vorcaro não frequentava as páginas policiais e era considerado um banqueiro em ascensão.

O ministro apontou também nos diálogos que todos os pedidos feitos pela Polícia Federal contra Vorcaro foram deferidos por ele —entre outros, novas buscas e apreensões nas investigações que apuram irregularidades na condução do Master.

Fonte: Folha de S. Paulo