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Pressão controlada ajuda a preservar a saúde e a independência da pessoa idosa

Diretriz brasileira atualiza metas e reforça prevenção de infarto, AVC e perda da função renal

Recentemente, a nova Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial, que agora trata a pressão “12 por 8” como um sinal de alerta, pegou muitas pessoas de surpresa, já que durante muitos anos ela foi considerada normal.

De acordo com o Dr. Roberto Dischinger Miranda, cardiologista e geriatra especialista pela Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG), o novo documento passou a incorporar evidências científicas mais robustas relacionadas ao controle da pressão em pessoas com mais de 60 anos. Ele explica que uma das principais novidades é a uniformização das metas de controle da pressão arterial. “Pela primeira vez, adultos e pessoas idosas passam a ter o mesmo objetivo, que é manter a pressão abaixo de 13 por 8, tanto na aferição em consultórios quanto nos exames complementares, como monitorização ambulatorial (MAPA) e residencial (MRPA).”

No entanto, há exceções. Dr. Miranda revela que para pacientes muito idosos (acima de 80 a 85 anos) ou portadores de síndrome da fragilidade (diminuição global das reservas orgânicas), apesar da meta ser a mesma, deve-se ter um cuidado maior com o início e progressão do tratamento. Alguns destes indivíduos podem não tolerar a meta de 13 por 8, daí devemos chegar o mais próximo possível destes valores, desde que bem tolerados.

“Outra mudança relevante é em relação ao conceito de pré-hipertensão, que foi ampliado. Embora não represente diagnóstico imediato de doença, essa categoria tem função estratégica, que é alertar as pessoas com maior risco de progressão para hipertensão, exigindo maior atenção ao monitoramento regular da pressão e medidas rigorosas de prevenção”, relata, ao comentar que pesquisas mostram que pessoas com valores entre 120 e 129 mmHg já apresentam risco cardiovascular superior as com níveis mais baixos, fato que reforça a necessidade de acompanhamento contínuo.

Riscos e medidas preventivas

O processo de envelhecimento também influencia esses resultados. Estudos também mostram que o endurecimento natural dos vasos sanguíneos, associado a fatores como diabetes, colesterol elevado, sedentarismo e tabagismo, faz com que a pressão arterial suba com a idade, principalmente a pressão sistólica. “Não por acaso, quase dois terços da população 60+ é hipertensa e mesmo as pessoas que chegam nessa faixa-etária sem o diagnóstico, têm risco elevado de desenvolver essa condição ao longo das duas décadas seguintes.”

Segundo o cardiologista e geriatra, além dos riscos de infarto do miocárdio, AVC e a perda progressiva da função renal, a hipertensão provoca alterações silenciosas nas estruturas dos vasos e no músculo cardíaco, podendo provocar arritmias, insuficiência cardíaca e doenças vasculares periféricas.

“O tratamento não medicamentoso continua sendo um pilar essencial da Diretriz, com impacto comprovado na redução da pressão arterial”, aponta, ao citar o controle do peso, a alimentação com menor teor de sódio, a prática de atividades físicas, o controle do estresse, a diminuição da ingestão de bebidas alcoólicas e o abandono do cigarro como medidas preventivas e cuidados com a saúde para a população no geral. “No caso das pessoas idosas, a orientação precisa ser individualizada. Por exemplo, um paciente com dor articular importante, pode necessitar de adaptação do exercício físico. Já as com perda de apetite podem sofrer consequências ao reduzirem o sal de maneira exagerada. O fato é que o planejamento precisa ser realizado por equipe multiprofissional, incluindo enfermeira, nutricionista, fisioterapeuta, educador físico, médico.”

Para o Dr. Miranda, ao uniformizar metas, reforçar o olhar para a prevenção precoce e orientar condutas baseadas em evidências, a nova diretriz reforça o papel do diagnóstico preciso e do acompanhamento a longo prazo. “Mais que tratar a hipertensão, o objetivo é frear seu impacto cumulativo sobre o cérebro, o coração e os rins, protegendo a saúde a saúde da população idosa brasileira”, atesta.

Fonte: SBGG