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Sem rede de apoio, casal de idosos em vulnerabilidade vive entre fezes no Jardim Itália

Idosos vivem em situação de vulnerabilidade em Campo Grande. (Reprodução, Leitor Midiamax)

Sem rede de apoio, um casal de idosos vive em situação de grave vulnerabilidade social no Jardim Itália, em Campo Grande. Com a saúde bastante debilitada, eles não conseguem executar tarefas básicas, como preparar refeições, tomar medicamentos essenciais e cuidar dos animais que vivem na residência.

O casal já teria recusado a possibilidade de morar em uma instituição. Para o denunciante, que optou pelo anonimato, os idosos não estão em condições de decidir por eles mesmos.

O idoso tem 82 anos e está acamado após sofrer sequelas neurológicas severas em decorrência de um AVC (Acidente Vascular Cerebral). Dessa forma, necessita do auxílio de terceiros para a realização de todas as atividades básicas do dia a dia.

Já a idosa, de 76 anos, possui histórico de fratura no fêmur, que evoluiu para uma limitação funcional. Ela permanece parte do tempo acamada ou com mobilidade reduzida e também necessita de ajuda para executar tarefas básicas em casa.

Casa em situação precária

Segundo o denunciante, as condições de saúde limitantes fazem com que o casal não consiga manter condições mínimas de higiene pessoal, vivendo em um ambiente totalmente insalubre (em contato com fezes humanas e de animais), além de não ter acesso à alimentação adequada e ao uso contínuo de medicamentos.

Vídeos encaminhados à reportagem mostram a casa em completa desordem, com fezes espalhadas pelo chão, louças sujas acumuladas em todos os cômodos e até entulhos que concentram dezenas de larvas de mosquitos. Os animais que vivem no local (cães, gatos e galinhas) também se encontram em situação de vulnerabilidade.

Idosos não têm rede de apoio

Conforme apurado pela reportagem, os idosos foram encaminhados neste ano para a UPA Vila Almeida devido às condições precárias em que vivem e ao estado alarmante de saúde. Após receberem os atendimentos necessários, a irmã da idosa teria retirado o casal da unidade mediante alta médica, mas alegou não ter condições de garantir assistência contínua.

O idoso tem um filho que trabalha como caminhoneiro. Ele teria afirmado que passaria por Campo Grande para prestar a assistência necessária, mas, segundo o denunciante, nunca compareceu.

A Prefeitura de Campo Grande foi acionada para verificar as condições de abandono e vulnerabilidade enfrentadas pelo casal. A expectativa de quem conhece a realidade dos idosos era que eles conseguissem vagas em instituições para assim terem acesso aos cuidados que precisam para viver com saúde e dignidade.

O que diz a Prefeitura

Em nota, a SAS (Secretaria Municipal de Assistência Social) informou que “a equipe do Creas Centro esteve na residência do casal de idosos em junho de 2025 para oferecer atendimento na Rede de Assistência Social do município. No entanto, a senhora reiterou que o casal era amparado por familiares e vizinhos, por isso, na ocasião, assinou um termo de recusa de acolhimento em uma Unidade de Acolhimento de Longa Permanência, se comprometendo a zelar, conforme o documento, pela saúde, alimentação e bem-estar do casal”.

A SAS pontuou ainda que “naquele mês o casal também recebeu a visita do Cras da região, mas igualmente recusou atendimento”.

Em dezembro de 2025, a denúncia chegou ao Ministério Público de Mato Grosso do Sul. O ofício determinava que a Sesau realizasse acompanhamento, visita e avaliação no prazo de 30 dias. O documento é datado de 19 de dezembro.

Em nota, a SAS afirmou que uma equipe do Creas Centro realizará uma nova visita ao casal ainda nesta semana, “com o intuito de oferecer atendimento por meio da Rede de Assistência Social”.

“É importante ressaltar que, uma vez que ocorre a recusa do atendimento, os técnicos devem respeitar a decisão do usuário para que não ocorra violação de direitos”, diz a nota.

A reportagem também acionou a Decat sobre as condições precárias que vivem os animais domésticos.

Fonte: MidiaMax