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ACORDA, BRASIL! O espelho que assusta: que Brasil entra em 2026?

Tudo que começa com uma mentira vai dar errado. O que inicia errado vai acabar errado — Cícero alertava: “Fundamentos falsos geram conclusões falsas”. Gálatas 6:7 reforça: “Não vos enganeis: de Deus não se zomba; pois aquilo que o homem semear, isso também ceifará.” E o Alcorão 2:42 adverte: “Não mistureis a verdade com a falsidade, e não oculteis a verdade quando a conheceis.”

Se o começo é marcado por mentira ou injustiça, o fim será desastroso. Há 136 anos, o povo brasileiro acordou em pânico, bestificado pelo enigma da noite sombria. O Marechal Deodoro da Fonseca, líder militar, arrastara o Imperador para o exílio na calada da escuridão, sem um sussurro de adeus à nação adormecida.

Das sombras da conspiração republicana, a República irrompeu em 15 de novembro de 1889, traindo o povo inocente em seu sono profundo, sem qualquer participação popular. Assim nasceu a República à brasileira: torta na origem, fruto de um golpe militar imposto de cima para baixo, costurado por conspirações, traições e acordos de bastidor, em completo desprezo à vontade do povo.

Uma tradição perversa se inaugurou: manipular consciências, fabricar narrativas e tratar o povo como mero figurante, com pouca ou nenhuma voz nas trocas de poder. Em 1889, a Monarquia caiu sem o povo nas ruas, derrubada por quartéis sedentos de poder.

Os republicanos logo revelaram o intento: apossar-se do poder e do dinheiro da nação, expulsando o Imperador ao exílio. Corrupção e autoritarismo corroeram Deodoro, que dissolveu o Congresso e decretou estado de sítio. Em 1891, dois anos após, renunciou, sob a mira dos canhões da Marinha sob acusações de corrupção.

Seu sucessor, Floriano Peixoto, ignorou a Constituição e assumiu autoritariamente, com repressão violenta a opositores. Depois, veio a República Oligárquica e trouxe o voto de cabresto, imposto pelos Coronéis, limitando ainda mais o povo. Em 1930, outro golpe depôs Washington Luís e impôs Getúlio Vargas. De 1937 a 1945, autogolpe: Constituição “polaca”, ditadura com censura e prisões.

Militares depuseram Vargas em 1945; Eurico Gaspar Dutra, general cuiabano, governou até 1950. Vargas voltou eleito em 1951, mas suicidou-se em 1954. Café Filho renunciou doente; Carlos Luz durou 3 dias, deposto; Nereu Ramos, 81 dias; Juscelino Kubitschek assumiu em 1956.

O ciclo continuou: golpe de 1964, regime militar por duas décadas. Em 1990, Collor de Mello assume pelo voto popular. A “redemocratização” prometeu amadurecimento, mas trouxe impeachments de Collor e Dilma, tentativas contra FHC, polarização extrema e até tentativa de assassinato contra Bolsonaro, candidato a presidente.

Em 136 anos, cerca de 15 rupturas institucionais, golpes, autogolpes, contragolpes, renúncias e suicídios, sempre sem participação real do povo, que assistiu passivo, pagando a conta.

Seis Constituições depois, o Brasil experimentou de tudo, menos democracia verdadeira. Tudo maquiado para iludir: líderes fingem querer o bem do povo, mas buscam poder a qualquer custo. Desde o golpe de 1889, nada deu certo, só piora, com falácias e retóricas vazias. A República é um jogo de cadeiras entre elites, onde o povo fica de pé.

A República brasileira nunca foi plenamente sobre o povo. Sempre foi sobre quem controla o poder, o discurso e as instituições. Desde o primeiro golpe, quase nada deu certo de forma estrutural. O que sobrou foram PROMESSAS RECICLADAS e frustrações acumuladas.

Mas a história não é um trilho fixo. Ela muda quando surgem lideranças que recusam o velho roteiro. É nesse cenário que trajetórias como as de Nikolas Ferreira (MG), Ulysses Moraes (MT), Fernando Holiday (SP) e Lucas Pavanato (SP) ganham relevância.

Não como salvadores da pátria — o Brasil já sofreu demais com essa ilusão — mas como símbolos de uma geração de jovens parlamentares que, com coragem inabalável e preparo intelectual sólido, voltou a defender a liberdade, os limites institucionais, a separação e independência entre os Poderes, a legalidade e a justiça igual para todos.

São vozes que desafiam o sistema, incomodam estruturas cristalizadas e recolocam o povo no centro do debate político. Não prometem atalhos autoritários, nem tutelas iluminadas. Defendem algo mais simples e mais raro no Brasil: Estado de Direito funcionando para todos, sem exceção.

O Brasil Imperial já desfrutava do status de nação de Primeiro Mundo, mas a República o precipitou ao terceiro mundo, mergulhando-o em um pântano de corrupção e impunidade para os corruptos, onde roubar o erário público se tornou vantajoso.

Chegou a hora de o Brasil retomar os trilhos do Primeiro Mundo. No fim das contas, a República à brasileira sempre foi um jogo de cadeiras: a música toca, os poderosos correm para sentar, e o povo fica em pé, pagando o ingresso.

2026 chegou. A pergunta não é quem vai sentar na próxima cadeira. A pergunta é se o povo continuará apenas assistindo ou se, finalmente, vai exigir mudar o jogo.

Acorda, Brasil.

Por Naime Marcio Martins Moraes – Advogado e Professor universitário